Pós-graduação ensina gestão de presídios

Com orientação para que a segurança e a ressocialização dos presos tenham o mesmo peso na administração dos presídios brasileiros, foram diplomados esta semana, em Curitiba, os primeiros 49 pós-graduandos em tratamento penal e gestão de presídios. "Não adianta arquiteturas seguras se não tivermos pessoas em condições de administrar as unidades, levando em conta os aspectos de segurança e recuperação dos presos", disse o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Ângelo Roncalli.Psicólogo da penitenciária de Maringá, no norte do Paraná, Dagoberto Dias Ribeiro disse que o curso mostrou a importância de um trabalho interdisciplinar dentro da penitenciária. "É preciso fortificar essas relações, incluindo a família dos presos", afirmou. A troca de experiência entre representantes de várias regiões do País foi destacada pelo diretor da Unidade Psiquiátrica e de Tratamento de Natal (RN), Paulo Jales de Oliveira. "Houve uma ampliação do conhecimento", disse.O primeiro curso de pós-graduação foi desenvolvido durante 15 meses, com aulas concentradas durante uma semana em cada mês. Participaram 30 pessoas do Paraná e 19 de outros Estados, entre agentes, advogados, psicólogos e assistentes sociais. Além desse curso, o Ministério da Justiça está desenvolvendo outros de nível médio em vários Estados. "Muitos agentes foram colocados no trabalho sem preparação", reconheceu o diretor do Departamento Penitenciário Nacional. O curso de pós-graduação teve como parceira a Universidade Federal do Paraná (UFPR).Para Roncalli, a aplicação dos conceitos de segurança e recuperação do preso será facilitada com o processo, já em curso, de descentralização e regionalização do sistema penitenciário. Segundo ele, unidades grandes como as do Complexo de Bangu "estão na contramão". A tendência é ter um número máximo de 500 presos em cada penitenciária, com corpo técnico e arquitetura bem estruturados. "Apenas uma caixa de concreto não resolve o problema", disse.O objetivo é que pequenos estabelecimentos atendam determinadas regiões no interior dos Estados, abrigando presos primários e não perigosos. Os presos de alta periculosidade e difícil recuperação estariam confinados em unidades próximas aos grandes centros, onde a intervenção é rápida, caso haja algum transtorno. "Nós queremos resgatar o que a Lei de Execuções Penais prevê", afirmou Roncalli. Atualmente, o País tem 240 mil presos.

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