Possíveis mandantes da morte de juiz estão sob investigação

Além do coronel da reserva da Polícia Militar Walter Ferreira, preso no Acre, autoridades do governo passado do Espírito Santo estão sendo investigadas como possíveis mandantes do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho. A informação foi confirmada nesta quarta-feira pelo subprocurador da República José Roberto Santoro, chefe do Gabinete Integrado de Segurança Pública, que reúne as equipes do governo estadual de combate ao crime organizado e da missão especial criada pelo governo federal no fim do ano passado."Uma das linhas de investigação é efetivamente uma conexão que passaria por Rio Branco, ou seja, que haveria uma manifestação tácita ou não tácita do coronel Ferreira. Isso não passa necessariamente por ele ter ordenado de dentro do presídio", disse Santoro. "Passa por conversas que poderiam ter induzido ou levado a tal. Não podemos mensurar isso neste exato momento, porque demanda alguns atos judiciais que já estão sendo tomados".Indagado se autoridades estaduais estariam sendo investigadas, ele afirmou: "Autoridades constituídas no momento, não; que já foram constituídas, sim". Ele não quis citar nomes. "A tese de latrocínio está descartada, pelo menos para o Ministério Público Federal. Isso significa que não haverá denúncia para esse crime. Estamos trabalhando única e exclusivamente com a hipótese de homicídio e mando", afirmou Santoro.A Polícia Federal (PF) teria uma gravação que comprovaria a ligação de Ferreira com o crime. O coronel é acusado de comandar grupos de extermínio no Espírito Santo. O número de procuradores que atuam no Estado foi ampliado. O delegado Danilo Bahiense, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que um advogado do acusado de executar o juiz com um tiro na cabeça e outro no braço, Odessi Martins da Silva Junior, o Junior Lombrigão, de 19 anos, procurou a polícia para dizer ele se entregaria nesta quarta, o que não havia ocorrido até as 19 horas.Segundo o delegado, Lombrigão está envolvido em crimes encomendados por traficantes no bairro de Garanhuns, em Vila Velha. Ele ficou preso durante um mês e dez dias, mas foi libertado há 15 dias, por determinação da 5ª Vara Criminal do Município.A perícia confirmou nesta quarta-feira que um tiro disparado durante o crime e que atingiu o 8º andar de um prédio saiu da arma do magistrado, roubada pelos criminosos e localizada nesta terça-feira, enterrada em um quintal. Giliarde Ferreira de Souza, de 20 anos, que está preso e confessou ter atirado no peito do juiz, foi levado nesta quarta por policiais ao local do crime, cometido em frente à academia de ginástica Belle Forme, em Vila Velha, para uma reconstituição.Investigadores da DHPP disseram ao Estado acreditar que o criminoso esteja contando a verdade quando diz que se tratava de um assalto. Segundo eles, Lombrigão, que teria recebido de um intermediário a ordem do mandante do crime, pode ter contratado Souza e os outros dois acusados (já presos) para um assalto, sem dizer que se tratava de uma encomenda, para que não houvesse vazamento de informação.No depoimento, Souza disse que saiu para assaltar um posto de gasolina, mas a presença de um carro da polícia fez com que ele e Lombrigão, que estavam numa moto, procurassem uma caminhonete para roubar. Ele alega que não sabia que se tratava do magistrado e que teria reagido. Os tiros fatais, contou no depoimento, foram dados por Lombrigão, quando ele viu que o juiz, caído no chão após ser atingido no peito, ainda estava vivo. Veja o especial:

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