Postos da Polícia Militar são metralhados em Salvador, na Bahia

Autoridades acreditam que ataque foi resposta a transferência de detento; três policiais foram feridos

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

07 de setembro de 2009 | 11h49

Quatro módulos policiais e duas viaturas da Polícia Militar foram metralhados, na madrugada desta segunda-feira, 7, em Salvador. Três policiais ficaram feridos, um deles em estado grave; duas moradoras de rua tiveram ferimentos leves, atingidas por estilhaços, e três supostos criminosos foram mortos em confronto com a polícia.

 

Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, os ataques tiveram início às 5 horas e foram realizados por entre 12 e 15 pessoas, divididas em três carros. Foram atacados os módulos dos bairros de Uruguai, Ribeira e Pirajá, localizados na Cidade Baixa, e o da estação rodoviária de Mussurunga, a cerca de 30 quilômetros dos outros três.

 

Depois de atacar este último posto, parte dos criminosos, em um Fiesta perto, ainda abriu fogo contra uma picape da PM, na Avenida Paralela - a mais movimentada da cidade. Os quatro policiais que estavam na viatura seguiam para o desfile de 7 de Setembro. Houve perseguição e troca de tiros.

 

Os três ocupantes do carro, Jeferson Oliveira Santos, Danilo dos Santos Souza e outro homem, sem identificação, foram atingidos e morreram antes da chegada do socorro médico. Com eles, os policiais encontraram munições de diversos calibres, uma touca preta, dois revólveres calibre 38, uma pistola 380 e dois celulares.

 

Segundo a SSP, as primeiras investigações apontam a relação entre os ataques e a transferência, realizada na sexta-feira, de um dos líderes do tráfico de drogas na Bahia, Cláudio Campanha, para o Presídio Federal de Segurança Máxima de Campo Grande (MS). "Estamos fazendo diligências por toda a cidade, com o auxílio de helicópteros, para localizar e prender os envolvidos nessas graves ações", afirma o secretário César Nunes.

 

Dos ataques, o considerado mais grave foi o realizado no bairro periférico do Uruguai. Os criminosos dispararam mais de 30 vezes contra a unidade e ainda jogaram um coquetel molotov, tipo de bomba incendiária feita artesanalmente, dentro do espaço. Por sorte, ali, apenas o sargento Flaviano Caetano Boa Morte foi ferido. Atingido no tórax e em um braço, ele está internado no Hospital Geral do Estado e, segundo os médicos, não corre risco de morte.

 

Em Pirajá, os criminosos conseguiram ferir dois soldados, um deles em estado grave. Uelinton Barbosa dos Santos, ferido de raspão na cabeça, foi transferido para o Hospital Geral Roberto Santos e não corre risco de morte. Já Israel Conrado de Araújo, levado à mesma unidade, foi ferido nas duas pernas e foi internado com grande hemorragia.

 

Contra o posto da Ribeira, os criminosos atiraram mais de 40 vezes, mas os dois policiais que estavam no local saíram ilesos. Atingidas por estilhaços de vidro e pedaços de alvenaria, duas moradoras de rua que dormiam ao lado da unidade tiveram pequenos cortes.

 

Arrastão

 

Outro evento que mobilizou a polícia de Salvador no feriado foi um arrastão promovido por cerca de 50 jovens, quase todos de menos de 18 anos, no Subúrbio Ferroviário da cidade. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os adolescentes invadiram e saquearam lojas e quebraram vidros de automóveis estacionados da região para furtar produtos. Localizados por policiais, 28 deles, todos menores, foram detidos. Pouco depois, um grupo de 20 jovens ateou fogo contra um ônibus que passava pela região - de acordo com a polícia, como reação à prisão dos jovens.

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