Poucas pessoas e muito simbolismo

Ato foi comparado a manifestações no Chile

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2011 | 00h00

No grupo de quase 500 pessoas que participaram do manifesto contra a corrupção na política, em São Paulo, a maioria era de jovens estudantes. Pareciam excitados com o fato participarem pela primeira vez de um evento político, convocado espontaneamente pela internet, por meio de redes como Facebook e Orkut. Nas conversas, associavam o evento às grandes manifestações estudantis ocorridas no Chile e na Espanha, também sob o signo das redes sociais. Era como se estivessem fazendo parte de uma onda global.

Ao final, aprovaram a proposta de novo encontro, no mesmo local (a Avenida Paulista), no dia 12 de outubro. Cantaram o Hino Nacional e se dispersaram.

Esperava-se mais gente. Afinal, o total de pessoas que confirmaram participação pela internet chegou a 21 mil. "Vencer a letargia cidadã é nosso maior desafio", dizia Felipe Mello, integrante da ONG Canto Cidadão e orador do evento. "O que fizemos hoje foi o pontapé inicial."

Um dos bordões mais repetidos no ato foi: "Sai do chão! Contra a corrupção!" E um dos fatos mais lembrados contra os políticos foi a absolvição, pelos seus pares, da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF).

Na prática, o maior problema do movimento no futuro poderá ser a falta de unidade. Sob a bandeira de tolerância zero contra a corrupção, ontem era possível encontrar antilulistas raivosos, defensores do fechamento de assembleias legislativas, militantes pela redução de impostos, propagandistas da reforma política e do voto distrital e por aí afora. Para lembrar a necessidade de uma "faxina" no País, uma jovem exibia uma miniatura de vassoura - o mesmo símbolo usado por Jânio Quadros na sua campanha vitoriosa do longínquo ano de 1960.

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