Poucos verão bonecões de Campinas

Tradicional desfile será dentro de escola neste ano

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

20 Fevereiro 2009 | 00h00

Os bonecões do distrito de Joaquim Egídio, em Campinas, serão vistos hoje - e é hoje só. Desde segunda-feira os artistas Sebastian Marques e Natasha Faria trabalham com os alunos da Escola Estadual Francisco Barreto Leme e preparam as figuras, que, às 14 horas, fazem sua apresentação de carnaval - dentro do colégio, e não nas ruas, longe do axé e do funk. Tudo muito diferente da festa que o Ponto de Cultura Inventor de Sonhos fez ao longo dos últimos quatro anos, levando à praça da igreja e às velhas ruas de paralelepípedos 4 mil pessoas, 40 bonecos, 10 mil versos, praticamente sem custos. Na frente saíam os bois infantis, ao som marcado dos tambores abafados, e logo atrás os bonecões de papel machê, criação de Natasha. Ali podiam ser encontrados tipos conhecidos, como o namorador, de fino bigode e paletó xadrez, ou a fofoqueira e seu lenço de cabeça. Havia espaço para campanhas em benefício da preservação - Joaquim Egídio, distrito criado no século 18, é reserva ambiental. Sebastian, ator com larga experiência em teatro de rua e também poeta, dá mobilidade às figuras. E elas distribuem os versos impressos, de mão em mão. Numerados de um a dez, são entregues aleatoriamente, "incentivando a leitura e a troca dos textos repetidos, como figurinhas". Ficar de fora do carnaval formal "não é um protesto, nem significa ruptura: apenas decidimos fazer uma reflexão sobre o conceito da ação", explica. A prefeitura, que vai gastar R$ 2,1 milhões no carnaval, confirma a "ausência de ruído" com o pessoal. O Ponto de Cultura Inventor de Sonhos mantém o único teatro de bonecos mamulengos da região, um dos três do Estado. Aos domingos, às 15 horas, tem apresentação para o público de até 35 pessoas, crianças principalmente. No local funciona o ateliê de Natasha, um centro de exposições e o núcleo do Cine Cuscuz, que reúne na praça do distrito rural, na última sexta-feira do mês, de 100 a 180 pessoas para assistir a ciclos de filmes nacionais. "Quem quiser pode trazer seu cuscuz e entregá-lo na barraca comunitária. Tem receita do Brasil inteiro", destaca Sebastian. Mais que isso, o Inventor virou parada de trupes e companhias que circulam pelo interior. Agora mesmo, os músicos de Carlos Gomide, de Juazeiro, que tocam amanhã em Jaú, estão lá hospedados. Em troca, mostram seu trabalho na Escola Estadual de Joaquim Egídio. COLABOROU TATIANA FÁVARO

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