PP gaúcho declara apoio a Serra

Partido já fechou alianças com tucanos em Minas, Paraná e Alagoas e agora tenta parceria em Tocantins, reduzindo campo para petista

Christiane Samarcoe Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

O PP do Rio Grande do Sul - a regional mais forte do partido - declarou ontem apoio oficial à candidatura do tucano José Serra à Presidência. A regional gaúcha fez o anúncio para pressionar o PSDB da governadora Yeda Crusius a aceitar suas condições para fechar aliança local.

Apesar de ter sido uma decisão isolada, um dirigente pepista avalia que o partido deu um passo em direção ao PSDB na corrida presidencial.

O anúncio do apoio foi decidido em reunião da qual participou o presidente nacional do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), que é cotado para vice de Serra na chapa presidencial. Além disso, a Executiva Nacional do PP é composta pela bancada federal e, entre os parlamentares, é grande a insatisfação com o interlocutor do PP junto ao governo - o ministro das Cidades, Márcio Fortes.

Pesa também a favor de Serra o fato de o PP já ter fechado aliança estadual com o PSDB de Minas Gerais, do Paraná e de Alagoas, além de caminhar para uma parceria no Tocantins. Como a ala dos que defendem a neutralidade na disputa presidencial é grande, até dirigentes mais afinados com o PT de Dilma Rousseff avaliam que as chances de o partido fechar com a petista minguam a cada dia.

A adesão dos gaúchos foi anunciada depois de um encontro de meia hora, sugerido pelo presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Coube ao presidente do PP gaúcho, Pedro Bertollucci, anunciar o apoio a Serra, certo de que a aliança é um passo para a aliança regional: "Estamos avançando." O processo está evoluindo", concordou o presidente do PSDB gaúcho, deputado Claudio Diaz.

O apoio do PP gaúcho é precioso para o tucano pela grande representatividade da regional, que tem nove deputados estaduais, cinco federais, 149 prefeitos, 120 vice-prefeitos, 1.177 vereadores, além de estar estruturado em 484 municípios. A governadora Yeda quer dar a vice ao PP mas seu partido resiste à aliança por conta da exigência de coligação nas eleições proporcionais, para deputados estaduais e federais. Como o PP é mais forte e, no geral, seus deputados tenham tido muito mais votos que os tucanos, o PSDB e o PPS do Rio Grande temem acabar sufocados pelo aliado. O temor geral é de que os pepistas preencham a maioria das vagas, deixando a governadora sem bancada.

Palanques. Serra também tem atuado pessoalmente para tentar fortalecer o seu palanque no Paraná - como em Santa Catarina, a situação das candidaturas locais ainda está indefinida.

À tarde, no Programa do Ratinho, no SBT, Serra fez elogios em cadeia nacional ao senador Osmar Dias (PDT), um dos pré-candidatos na disputa pelo governo paranaense, e destacou a ação dele em defesa da agricultura.

Os tucanos tentam amarrar o apoio de Dias a Serra, enfraquecendo o palanque da petista Dilma. O parlamentar já flertou com o PT, mas as articulações não avançaram. "Eu conversei para dar parabéns", disse Serra, explicando o telefonema ao senador. O tucano, no entanto, destacou ver como "boas" as perspectivas de fechar aliança no Paraná envolvendo Dias. "Quero dizer que ele é meu amigo próximo, há muitos anos, desde que nos conhecemos no Senado. Trabalhamos muito juntos", completou. / COLABOROU JULIA DUAILIBI

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