PP gaúcho é assediado por quatro pretendentes

Sigla sem candidato a governo do Estado é disputada pelo PSDB, PSB, PTB e PMDB para aliança eleitoral

Elder Ogliari, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

Mesmo sem candidato ao governo do Estado, o Partido Progressista (PP) tornou-se decisivo para a montagem do tabuleiro político no Rio Grande do Sul. A sigla é assediada por quatro pretendentes - PSDB, PSB, PTB e PMDB - para uma aliança eleitoral.

A decisão - que possivelmente sairá na próxima semana - terá reflexos até na montagem da chapa do PT, com quem não tem nenhuma afinidade ideológica.

A expectativa de todos pela opção do PP é justificável pelo tamanho do partido no Estado: cinco deputados federais, nove estaduais, 149 prefeitos, 1.177 vereadores e disputa a hegemonia política estadual com o PMDB, que tem um senador, cinco deputados federais, nove estaduais, 140 prefeitos e 1.156 vereadores.

O favorito para conquistar o apoio do PP é o PSDB, que vai lutar pela reeleição de Yeda Crusius. Os tucanos são uma força média no Estado, com dois deputados federais, cinco estaduais, 20 prefeitos e 250 vereadores - nesses quesitos ficam atrás também do PT, PDT e PTB - e ganhariam um reforço extraordinário com a aliança.

Os progressistas foram os aliados mais fiéis que Yeda teve durante sua conturbada gestão. A união seria natural, mas as condições estabelecidas pelo PP, que quer indicar o vice-governador, um candidato ao Senado e coligação nas proporcionais, se transformaram num impasse.

O PSDB concorda com as duas primeiras exigências, mas entende que parte das vagas que poderia conquistar sozinho seriam "canibalizadas" e iriam para o parceiro maior na formação das bancadas federal e estadual.

Acordo. Na sexta-feira, os presidentes do PSDB, Claudio Diaz, e do PP, Pedro Bertolucci, tentaram chegar a um acordo, mas tiveram de adiar a decisão por mais uma semana, por não se sentirem autorizados pelas bases a mudar de posição.

"O apoio ao Senado e a vaga do vice já estão prometidos, mas há o gargalo da proporcional", reconhece Diaz, prometendo que o partido vai estudar o assunto.

O PTB, que já fechou aliança com o DEM e vai lançar o deputado estadual Luis Augusto Lara, e o PSB, que conta com apoio do PC do B para a candidatura do deputado Beto Albuquerque, oferecem o que o PP quer, mas com menores perspectivas eleitorais quando o critério são as pesquisas. Na mais recente, Lara e Albuquerque têm 3% das intenções de voto, enquanto Yeda tem 8%. Os líderes são Tarso Genro (PT), com 31%, e José Fogaça (PMDB), com 30%.

PARA LEMBRAR

A eleição da tucana Yeda Crusius em 2006 quebrou uma série de disputas polarizadas entre o PT e o PMDB no Rio Grande do Sul. Em 1994 e em 1998, Antonio Britto (PMDB) derrotou Olívio Dutra (PT), sempre no segundo turno. Em 2002, o PMDB ganhou novamente com Germano Rigotto, que bateu o petista Tarso Genro, também no segundo turno.

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