PPS manda recado ao PT - quer Ciro no ministério

O PPS fez chegar ao PT o desejo de indicar o ex-governador do Ceará Ciro Gomes para o Ministérioda Previdência no governo do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva. Tanto Lula quanto o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), já foram informados da solicitação do PPS.Não deram uma resposta ao partido de Ciro Gomes porque Lula ainda não deixou vazar o nome de nenhum futuro integrante de ministério.Mas o presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE) foi comunicado pelo próprio Dirceu de que seu partido tem vaga na equipe de auxiliares da primeira linha do futuro governo.Entre os poucos petistas que conseguem romper a barreira de silêncio imposta por Lula e por José Dirceu, acredita-se que Lula acatará o pedido do PPS e fará de Ciro Gomes seu ministro.O ex-governador foi candidato a presidente e, no primeiro turno, ficou em quarto lugar na eleição. No segundo turno, deu apoio incondicional a Lula ainda no dia 6, quando a apuração nem havia terminado.Depois desse gesto, Ciro ganhou a gratidão de Lula. Ao fazer sua primeira viagem de campanha no segundo turno a Belo Horizonte, o ainda candidato petista disse para uma platéia de mais de 2 mil eleitores que sua admiração pelo ex-governador doCeará era cada dia maior. Durante outros comícios Lula fez a mesma declaração a respeito de Ciro.O apoio do ex-governador Anthony Garotinho, do PSB, só aconteceu depois da adesão de Ciro.Na semana passada, o deputado José Dirceu disse que PSB, PPS e PDT vão participar do governo de Lula, numa coalizão de partidos de centro-esquerda. Esse, segundo Dirceu, é o desejo deLula. Com a participação dos três partidos em seu governo, Lula terá a adesão de mais 58 deputados e 9 senadores.Com o PL, o PC do B e o PMN, que fizeram parte da coligação original da chapa vencedora, o governo passaria a ter do seu lado 188 deputados e 26 senadores. Como Lula pretende negociar com o PMDB e deverá atrair ainda PV, PSDC e PTB, poderá chegar a uma bancada de 294 deputados e 48 senadores.O novo governo passaria a ter folgada maioria noCongresso nas votações para projetos de lei complementar, que exigem o mínimo de 257 votos na Câmara e 41 no Senado, e de lei ordinária, que necessitam apenas do voto de metade mais um dospresentes.O governo de Lula teria ainda problemas para aprovar emendas constitucionais, que exigem o mínimo de 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Por mais exercício que Lula faça para montar uma maioria, ainda terá de negociar caso a caso quando houver no Congresso emenda constitucional de seu interesse.De qualquer forma, Lula tem a promessa de que pelo menos parte do PFL da Bahia - a maior bancada entre todos os Estados - vai posicionar-se do seu lado. Se efetivamente ele contar comdeputados e senadores baianos, conseguirá mais votos do que os 308 e 49 necessários na Câmara e no Senado. Contudo, será uma maioria apertada.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2002 | 22h40

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