Dida Sampaio/AE-2/8/2011
Dida Sampaio/AE-2/8/2011

PR acha apuração ''inconclusiva'' e exige atestado de inocência

Cúpula do partido avalia que, se isso não ocorrer, negociações para retorno da sigla à base de Dilma podem ficar prejudicadas

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 Setembro 2011 | 00h00

A cúpula do PR avaliou ontem que a auditoria feita pela Controladoria-Geral da União (CGU) nos Transportes foi "inconclusiva" e pode até mesmo atrapalhar as negociações para o retorno do partido à base aliada, caso o governo não faça um gesto político, inocentando seus dirigentes. Dois meses após ser defenestrado do comando do Ministério dos Transportes, no rastro do escândalo de corrupção, o senador Alfredo Nascimento (PR-AM) deu a senha da reação do partido ao observar que a sindicância não indica os responsáveis pelos malfeitos.

Embora o relatório da CGU aponte 66 irregularidades em processos de licitação e contratos, com prejuízo de R$ 682 milhões aos cofres públicos, Nascimento disse, em nota, continuar aguardando que as "suspeitas" veiculadas pela imprensa sejam esclarecidas "de modo cabal". Presidente do PR, o senador destacou que a auditoria não elucida o "suposto envolvimento" de integrantes da equipe liderada por ele, nos Transportes, na prática de irregularidades.

"Nós esperávamos que essa celeuma tivesse um ponto final com a sindicância da CGU porque, afinal de contas, pessoas foram afastadas e caiu um ministério inteiro", afirmou o senador Blairo Maggi (PR-MT). Padrinho de Luiz Antônio Pagot - o então diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que saiu na esteira da crise -, Maggi disse ter ficado "desapontado" com o que a CGU divulgou.

"A auditoria da CGU não disse a que veio", comentou o senador. "Eu, particularmente, esperava que o relatório identificasse os responsáveis por irregularidades, mas não há responsabilização de nada nem de ninguém. Foi um documento muito vago."

Retorno. Na próxima semana, a cúpula do PR vai se reunir para decidir se é conveniente voltar para a base aliada. Por determinação da presidente Dilma Rousseff, os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) têm conversado com dirigentes e parlamentares do PR e pedido que retornem para a coalizão. Apesar de não comparecer mais às reuniões do Conselho Político, até hoje o partido não cumpriu a promessa de devolver os cargos que ocupa.

O líder do PR na Câmara, Lincoln Portela (MG), chegou a assinar o pedido de criação da CPI da Corrupção. Maggi disse que não endossará a proposta. "O governo já está sem foco. Se botar uma CPI, aí é que perde totalmente o foco e não consegue avançar", resumiu o senador.

Disposta a obter uma espécie de atestado de inocência, a cúpula do PR quer que Dilma ou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, façam um gesto para afagar o partido. A presidente, porém, já disse que cabe aos órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal, o julgamento final das contas. Para o deputado Luciano Castro (PR-RR), a sindicância da CGU "não isentou nem acusou" ninguém. Vice-líder do governo e favorável à volta do PR para a base aliada, Castro afirmou que cabe ao Planalto, agora, dizer que o partido "não está envolvido" em superfaturamento de obras. "Também houve denúncias no Turismo e isso não significa que o ministro esteja envolvido, porque, se estivesse, não estaria no cargo", provocou Castro, numa referência às acusações que atingiram a pasta comandada por Pedro Novais, do PMDB.

REAÇÕES

Blairo Maggi

Senador (PR-MT)

"Eu esperava que o relatório identificasse os responsáveis por irregularidades, mas não há responsabilização de nada nem de ninguém. Foi um documento muito vago"

Luciano Castro

Deputado (PR-RR)

"A sindicância da CGU não isentou nem acusou ninguém"

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