Ed Ferreira/AE
Ed Ferreira/AE

PR deixa base, entrega cargos e prega ''voto consciente''

Partido, fustigado pelo escândalo nos Transportes, reitera que titular, Paulo Passos, não o representa e parlamentares querem desfiliação do ministro

, O Estado de S.Paulo

17 Agosto 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Depois de um embate com a bancada de senadores do partido, o presidente nacional do PR, senador Alfredo Nascimento (AM), anunciou ontem a "declaração de independência" da sigla da base de sustentação do governo no Congresso e afirmou que o partido entregará todos os cargos que possui. O ex-ministro dos Transportes, defenestrado do cargo após denúncias de corrupção na pasta, explicou que o PR atuará de forma independente, "mas com responsabilidade". No cálculo de Nascimento, não está incluído o cargo de ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

"Paulo Sérgio Passos é um técnico que merece nosso respeito", disse Nascimento. Mas avisou que, embora filiado ao PR, o partido não o reconhece como "legítimo representante" na Esplanada dos Ministérios e sim como um ministro da cota da presidente Dilma Rousseff.

O senador Blairo Maggi (PR-MT) e outros parlamentares chegaram a defender, publicamente, que Passos se desfiliasse do PR para continuar no cargo. "Se não, nosso discurso (de entregar os cargos) fica atravessado", argumentou Maggi. Mas Nascimento atribuiu à cota presidencial a permanência de Passos no cargo e no partido.

Entre outros cargos, o PR ainda controla a diretoria de Engenharia de Furnas, ocupada por Mário Márcio Rogar, indicado pelo partido. Além disso, Maurício Malta, irmão do líder do PR no Senado, Magno Malta, é assessor parlamentar no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O senador Clésio Andrade (PR-MG) conseguiu preservar no cargo o diretor da Superintendência do Dnit em Minas Gerais, Sebastião Donizete.

Durante a tarde, senadores do PR tentaram evitar até o último instante o pronunciamento de Nascimento, como Magno Malta e Clésio Andrade, que resistem ao rompimento com o governo. Malta confrontou Nascimento e desabafou com os jornalistas: "Eu não sou criança para anunciar outra coisa agora, eu sou homem de uma palavra só, ninguém manda em mim".

Na semana passada, Malta chegou a anunciar a saída da bancada penas do bloco governista no Senado, liderado pelo PT. Assim, permaneceria na base.

Baixa. Na prática, são 41 deputados e sete senadores que deixam de votar, automaticamente, alinhados com o governo. Além disso, o PR sai do "Conselho Político", formado por líderes da base aliada que se reúnem periodicamente com Dilma no Planalto.

Nascimento afirmou que o PR não fará nenhum "jogo rasteiro de revanchismo", sugerindo que o partido não endossará comissões parlamentares de inquérito (CPI) contra o governo. Mas avisou que as bancadas votarão de acordo "com as suas consciências". De saída, o líder do PR, senador Magno Malta (ES), encaminhou voto favorável a uma emenda da oposição ao PLC 116, sobre TV por assinatura, de interesse do governo.

CPI. Ato reflexo, a bancada do PR na Câmara ameaçou apoiar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção. "O PR estará fazendo uma avaliação sobre essa questão da CPI", afirmou o líder do partido na Câmara, deputado Lincoln Portela (MG). "Mas isso não significa que nós vamos para a oposição",disse o deputado Luciano Castro (PR-RR). Os votos do PR podem ser cruciais para a criação de uma CPI. O problema, no entanto, é que integrantes da sigla serão alvos das apurações.

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