PR ''independente'' agora revê entrega de cargos

Um dia após Alfredo Nascimento anunciar decisão, partido afirma que indicados estão 'à disposição' de Dilma

Eduardo Bresciani e Rosa Costa, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2011 | 00h00

Depois do anúncio de que o PR deixava a base aliada e entregava os cargos que ainda ocupava - feito por seu presidente, o ex-ministro Alfredo Nascimento -, o PR explicou ontem que esse anúncio não significará a entrega imediata de todos os cargos. O termo encontrado pelo partido é que eles estão "à disposição" da presidente e caberá a ela tirar ou não os apadrinhados da legenda. Entregar espontaneamente, o PR não vai.

Um dos líderes da legenda garante que não haverá constrangimento quanto aos políticos que ainda têm afilhados em postos no governo: "Nós não vamos constranger ninguém a entregar nada. Os cargos estão à disposição da presidente, se ela quiser tirar as pessoas que tire e quem quiser sair por conta própria fique à vontade, mas ninguém será obrigado pelo partido a sair".

O movimento inicialmente explicitado de sair da base gerou rachaduras na sigla. Alguns filiados argumentam não ter condições políticas de perder aliados que conseguiram emplacar no governo porque dependem deles para conseguir liberações de obras e outros benefícios para suas bases eleitorais.

Outros, como o líder do PR no Senado, Magno Malta (ES), consideram a decisão anunciada por Nascimento exagerada. Ele tem um irmão, Maurício Malta, na assessoria parlamentar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Apesar da condescendência com quem ficar, o discurso oficial do partido é que nenhum dos "sobreviventes" à faxina nos Transportes terá oficialmente a nomenclatura de cargo do PR. Isso vale também para o ministro Paulo Sérgio Passos.

Questão de tempo. A posição dúbia do PR dá ao governo a sensação de um afastamento apenas temporário. O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), destaca que o movimento não significa uma ida do partido para a oposição e espera a volta dos aliados em breve. "Acho que esse afastamento é uma coisa transitória e acredito que, por meio do diálogo, é possível ter uma recomposição num prazo que não seja tão longo".

A maior queixa da legenda é de ter recebido de Dilma tratamento diferente do verificado em ministérios do PMDB, como Agricultura e Turismo. "No PMDB, até quem foi preso não foi demitido, enquanto para nós valeu apenas a notícia de uma revista", protesta o senador Blairo Maggi (PR-MT), um dos principais defensores da independência.

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