PR institucionalizou roubo

Que havia corrupção no ministério dos Transportes até as pedras sabiam, mas a sua institucionalização, através da criação de um comitê de "acompanhamento" de obras e contratos é que deu ao Palácio do Planalto a dimensão do assalto do PR às verbas das quais dependem, em sua maior parte, os projetos do PAC. Tornou-se uma ameaça ao governo.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2011 | 00h00

Até então, o Planalto sabia o que o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, considerou inevitável numa Pasta com orçamento superior a 12 bilhões de reais: sempre há irregularidades e cabe ao governo detectá-las e agir pontualmente sobre cada descoberta.

A decisão de promover a chamada faxina, ou seja, não deixar pedra sobre pedra, veio com as informações de empresários de que o comitê fora estabelecido para fazer uma fila em que estariam mais bem colocados os que se submetessem ao pagamento das taxas de propina para liberação de pagamentos e contratos.

Parte da arrecadação beneficiava prefeituras e candidatos em 2012, parte chegava em espécie a integrantes da bancada do partido na Câmara. O conjunto de informações desenhava uma ameaça tripla ao governo: o desgaste do escândalo de um novo mensalão, agora no governo Dilma; a contaminação dos projetos do PAC e o comprometimento às reformas de infraestrutura com vistas à Copa de 2014.

Ao intervir por autopreservação, a presidente Dilma foi apresentada a um efeito colateral do qual gostou: o alto índice de aprovação da população, especialmente na classe média. Adotou, então, como bandeira, o combate à corrupção em toda a estrutura de governo.

Velas ao mar

A posição de "independente" anunciada pelo PR em retaliação às demissões não é levada a sério. O PSD, do prefeito Gilberto Kassab, descobriu antes o conforto de não ser nem direita, nem centro e nem esquerda e já ocupou esse espaço nos planos futuros do governo. O desafio da presidente, que não pode voltar atrás, é sustentar o padrão de tolerância zero, cuja longevidade depende da combinação de uma economia estável com uma gestão de resultados em áreas sensíveis como segurança, saúde e serviços. No primeiro caso, depende de si e do cenário externo, nos demais, de um ministério hoje aquém do desafio.

Mais mudanças

Preocupa o Palácio do Planalto, agora, segurança e turismo, vitais para o êxito da Copa. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, precisa mostrar serviço e a substituição de Pedro Novaes, no Turismo, já está negociada com o vice-presidente, Michel Temer. Com a saída de Fernando Haddad, da Educação, para disputar a prefeitura de São Paulo, a reforma seguirá, gradual, até o final do ano.

Com sobras

O PSD estima encerrar a coleta das 498 mil assinaturas necessárias ao seu registro, entre 31 de agosto e 7 de setembro. O cálculo é do seu

principal coordenador, o ex-tesoureiro do DEM, Saulo Queiroz, veterana raposa do antigo PFL. Saulo desdenha das denúncias de falsificação das assinaturas, porque trabalha apenas com aquelas já certificadas pelos cartórios. São 15 mil por dia, em média, e já somam 398 mil - 100 mil a menos do que determina a legislação. Em análise pelos cartórios ainda estão outras 350 mil.

Perfis trocados

O PT condicionou seu apoio à candidatura do ex-tucano Gustavo Fruet à prefeitura de Curitiba, a que concorra pelo PDT. O PT quer repetir a estratégia de São Paulo, com Fernando Haddad: um perfil tucano mais palatável numa capital onde tem índice de rejeição histórico.

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