PR lança Garotinho e atrapalha aliança de Dilma no Rio

Partido condiciona apoio a compromisso da petista de subir no palanque do ex-governador e levar legenda da base à chapa

Luciana Nunes Leal, do Rio, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2010 | 00h00

O congresso regional do PR expôs ontem as dificuldades da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, no Rio de Janeiro. O partido decidiu, por enquanto, ficar neutro na disputa presidencial, contrariando o PR nacional, que já deu apoio à petista. Lançado pré-candidato ao governo, Anthony Garotinho abriu guerra contra o governador Sérgio Cabral (PMDB), a quem acusou de enriquecimento ilícito.

O PR fluminense condiciona o apoio a Dilma ao compromisso da ex-ministra de subir no palanque de Garotinho e se empenhar para levar algum partido da base do governo Lula para a chapa de oposição a Cabral. Candidato à reeleição, o governador é tratado pelo comando da campanha petista como "aliado preferencial".

Em discurso para 3 mil militantes, o ex-governador Garotinho atacou Cabral. "O governador não consegue justificar nem a mansão que comprou em Mangaratiba fazendo lavagem de dinheiro. Me processe que eu quero ver, governador Sérgio Cabral", disse. "Mostre como comprou a mansão e dois apartamentos no metro quadrado mais caro do Rio", afirmou. "Vou enfrentar a quadrilha que está instalada no Palácio Guanabara."

Cabral tem uma casa de praia no município de Mangaratiba, no Sul do Estado, e mora no Leblon, na quadra da praia, um dos pontos mais valorizados da zona sul carioca. A Assessoria de Imprensa de Cabral informou que o governador não iria responder ao adversário.

Líder do governo na Câmara, o petista Cândido Vaccarezza (SP) disse que haverá uma decisão "geral" para a campanha nos Estados onde Dilma tem dois palanques. "Não é adequado o diálogo entre aliados se dar na base de ultimatos. Respeitamos o PR mesmo nos Estados onde a base não está unida", afirmou.

Cobrança. Garotinho cobrou empenho de Dilma como aliada, "Não vou entrar na campanha para dizerem que Garotinho ofereceu apoio a Dilma e que apoio não se recusa. Ele citou os pré-candidatos do PSDB, José Serra e do PV, Marina Silva: "Se não, fica mais cômodo para mim dizer para os amigos que querem apoiar Dilma que apoiem Dilma, que querem apoiar Serra que apoiem Serra, que querem apoiar Marina que apoiem Marina."

Sobre a dificuldade de Dilma, se receber apoio de dois adversários tão ferrenhos como ele e Cabral, Garotinho respondeu: "Isso é problema dela. Não vou mudar meu discurso por causa disso." O ex-governador, que ontem completou 50 anos, fez várias promessas, como a construção de 100 mil casas em 4 anos.

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