Andre Dusek/AE
Andre Dusek/AE

PR pede tempo para decidir se volta à base

Líderes da sigla saem de reunião com Ideli sem aceitar nem rejeitar convite do governo

Denise Madueño, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2011 | 00h00

A presidente Dilma Rousseff procura a reconciliação com o PR, o partido mais atingido na "faxina" implementada na Esplanada dos Ministérios. Na semana em que a presidente se reuniu com os partidos aliados e o PR declarou independência, coube à ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, abrir a porta para a volta do partido à base. O convite, em nome do governo, não foi aceito nem rejeitado. O PR quer um tempo de "maturação" antes de responder se voltará a integrar a aliança que apoia Dilma no Congresso.

"Foi um gesto de valorização do partido. A partir desse convite, a discussão está aberta no PR, mas não há pressa para tomar decisão", afirmou o líder da sigla na Câmara, Lincoln Portela (MG), que se reuniu ontem com a ministra por uma hora, junto com o deputado Luciano Castro (PR-RR), vice-líder do governo.

A saída do PR da base foi anunciada na terça-feira, em discurso no Senado feito pelo presidente da legenda, Alfredo Nascimento (AM), ex-ministro dos Transportes que deixou o cargo na esteira das denúncias de suposto esquema de corrupção em funcionamento na pasta. Na quarta-feira, o PR na Câmara estreou na nova posição, votando contra a orientação do governo durante análise no plenário da medida provisória que muda a estrutura dos Correios.

Do total de 32 deputados que participaram da sessão, apenas Luciano Castro votou com o governo. Houve uma abstenção na bancada e 30 votos contrários aos que pretendia o Palácio do Planalto, mostrando a unidade dos deputados do partido. Essa votação foi citada ontem por Ideli no encontro com os deputados do PR.

Conversas. Na reunião, Portela lembrou a ministra que o partido tomou a decisão de sair da base e adotar uma linha de independência depois de várias conversas num período de 45 dias. Agora, esse mesmo processo terá de se repetir para avaliar se o partido voltará ou não para a base. "A decisão é colegiada", disse o líder da bancada.

Castro considerou a conversa com a ministra uma reaproximação, sem, no entanto, nada de muito concreto. Para contornar a insatisfação do partido, o deputado do PR afirma que será necessário um amadurecimento maior como governo. "É um começo, mas não significa muita coisa hoje", disse Castro.

Isonomia. O vice-líder do governo reafirmou que a principal insatisfação de seus colegas de bancada foi com ao tratamento dado ao PR no episódio do Ministério dos Transportes.

Ao contrário do que ocorreu no Ministério da Agricultura, também atingido por denúncias de corrupção, nos Transportes a presidente Dilma atuou direta e imediatamente, demitindo os envolvidos em suposta corrupção tão logo surgiram as primeiras denúncias. "O governo de alguma forma tem de reparar isso. E começa com a presidente chamando o partido para uma conversa", afirmou Castro.

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