PR resiste e Passos assume como interino

Planalto anunciou no início da noite o nome do secretário executivo para assumir os Transportes, mas PR ainda debate um substituto para o cargo

Tânia Monteiro e Eduardo Bresciani / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2011 | 00h00

O Palácio do Planalto informou no início da noite de ontem que o atual secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, será o ministro interino da pasta até que o substituto de Alfredo Nascimento seja nomeado. Segundo informações da assessoria do Planalto, não há prazo para que essa definição ocorra. O Planalto informou ainda que a presidente Dilma Rousseff aceitou o pedido de demissão de Alfredo Nascimento, feito ontem à tarde, em "caráter irrevogável".

Passos foi anunciado como o preferido da presidente Dilma para assumir o ministério, mas o PR rejeitou a proposta e carimbou o nome como "interino".

A bancada do PR na Câmara fez uma reunião ontem à noite para discutir o processo de sucessão de Nascimento, levando em conta o fato de que o Planalto havia dito que a pasta continuará na mão do partido, que quer emplacar alguém com "perfil mais político".

O partido evita apresentar agora o nome de um candidato e quer discutir possibilidades por mais alguns dias. O líder do PR, Lincoln Portela (MG), fez elogios a Passos, mas deixou claro que o partido não dá a efetivação dele como certa.

"Ele é um interino competente, sério, probo, reto, íntegro, mas entre ser tudo isso e ser ministro do partido há uma distância a percorrer", disse Portela. Para o líder, o novo ministro dos Transportes tem de conhecer a área e ter bom relacionamento político.

A reunião dos deputados do PR teve momentos de insatisfação com o governo. Além da demissão de Nascimento, parlamentares lembraram os problemas enfrentados para a liberação de emendas. Apesar disso, o líder reafirma que não há qualquer discussão sobre abandonar a base do governo.

Portela aproveitou o encontro para fazer uma defesa do partido ao negar que o PR tenha organizado um "mensalão" na pasta dos Transportes. "Está sendo feita uma grande injustiça. O partido foi levado à execração. Falou-se em mensalão do PR, mas quem recebeu, quanto, onde, quais as provas? Até agora nada dito foi disso."

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