Pragmático, PT deixa porta aberta para Skaf e PP de Maluf

Cenário

Julia Duailibi, Malu Delgado e Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

O PT definiu ontem em seu Congresso a política de alianças em São Paulo, deixando aberta a porta para se unir a inimigos históricos: o representante do empresariado Paulo Skaf (PSB), presidente da Fiesp, o ex-tucano Gabriel Chalita (PSB) e o ex-prefeito Paulo Maluf (PP).

O objetivo, manifestado abertamente por dirigentes, é robustecer a chapa Mercadante e Marta e garantir mais tempo de TV. O PT espera chegar a seis minutos e meio de exposição, enquanto os tucanos devem ter oito minutos e meio.

Correligionários inconformados até tentaram emplacar uma emenda ao tema, vetando a aliança com PSB e PP, que apesar de nacionalmente alinhados com Lula têm proximidade com os tucanos em São Paulo. A emenda tratava Skaf, possível candidato do PSB ao governo paulista, como neoliberal e "inimigo do trabalhador". Chalita, recém filiado ao PSB e cotado para a segunda vaga ao Senado na chapa petista, foi descrito como "inimigo dos professores" por sua atuação como secretário de Geraldo Alckmin (PSDB).

Ainda que o apoio à candidatura do vereador e apresentador de TV Netinho (PC do B) ao Senado esteja em negociação, dirigentes petistas veem com bons olhos a parceria com Chalita, apostando que o ex-tucano pode atrair ao PT um eleitorado do PSDB.

Com relação ao PP, que cogita lançar Celso Russomanno ao governo do Estado, aliados de Mercadante acreditam que há possibilidade de construir um apoio num eventual segundo turno, ainda que o nome de Paulo Maluf não seja digerido pela militância petista.

Na tentativa de convencer o PT, Carlos Zarattini (SP) lembrou que o vice-presidente José Alencar (PR) foi vaiado quando entrou na chapa com Lula em 2002. José Genoino (SP), por sua vez, disse que é preciso uma política de alianças "inteligente". "É necessário ter força política para ganhar a eleição. O PT aprendeu que não ganha eleição sozinho nem governa sozinho. " Até agora, o PT conta com seis partidos para a coligação (PDT, PPL, PC do B, PT do B, PR e PRB).

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