Praias do Rio mostram contradições do País, diz <i>NYT</i>

A divisão social do Brasil é refletida nas praias cariocas, segundo matéria publicada no jornal The New York Times desta terça-feira. "Os brasileiros gostam de dizer que a praia é ´o espaço mais democrático´ do país. Mas alguns corpos - e algumas praias - são mais iguais do que outras", escreveu Larry Rohter, correspondente do jornal no País. A diferença entre as praias do litoral norte e sul do Rio de Janeiro, foram apontadas pelo NYT. No sul, a vizinhança que faz parte da elite freqüenta areias bonitas, enquanto no litoral norte, as pessoas enfrentam uma poluída Baia de Guanabara. Mesmo as praias da elite, Copacabana e Ipanema, e suas extensões menos conhecidas, Leblon e Leme, são divididas em seções, demarcadas por dezenas de postos, numerados de 1 a 12, os quais possuem uma cultura própria e são freqüentadas por "tribos". Os Postos, segundo Rohter, são freqüentados por determinado tipo de pessoa. Como exemplo, ele cita o Posto 9, considerado o melhor da cidade por 30 anos, e preferido entre a elite intelectual de esquerda, que levantava a bandeira do Partido dos Trabalhadores, assim como artistas e hippies. Reduto de surfistas, o Posto 7 também é um dos mais visitados pelos moradores dos subúrbios e morros cariocas, chamados pejorativamente de "farofeiros", devido aos piqueniques e lanches que levam à praia. "A maioria das pessoas te tratam bem, mas algumas são inconvenientes, até racistas", diz Jefferson Luiz Santos Fonseca, que vai ocasionalmente a Ipanema com a família, cita a reportagem. O desrespeito nas praias também é citado por Rohter. O correspondente do NYT afirma que jogadores de frescobol se divertem próximo ao mar incomodando os banhistas, ao mesmo tempo que cães são levados à areia por seus donos e surfistas passam os limites de segurança na água. Porém, o que mais preocupa os banhistas, segundo Roether, são os "arrastões", nos quais grupos de marginais assaltam aqueles que estão nas praias. Essa prática começou a ocorrer freqüentemente a partir dos anos 1990, e, apesar de ter sido minimizada pela polícia da cidade, demonstra claramente as contradições sociais da cidade. Segundo o NYT, alguns hotéis de luxo da cidade teriam até contratado seguranças para observar esse tipo de ação nas praias cariocas. Alguns deles também expulsam da praia as prostitutas conhecidas como "Cinderelas das areias", segundo a reportagem.

Agencia Estado,

06 Fevereiro 2007 | 15h33

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