Precisar não precisa, mas elas querem votar

Eleitoras com mais de 70 anos, algumas com mais de 80, falam com orgulho de sempre terem cumprido o que consideram dever de cidadania

Verônica Dantas, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

No último dia deste mês, Magdalena Aguilera Zenezi completará 82 anos de vida. Como a data vai cair numa quinta-feira, a comemoração deve ficar para o domingo da eleição. Dispensada da obrigatoriedade do voto por conta da idade, ela teria dois motivos para não ir à cabine de votação no dia 3 de outubro, mas votar é um dever que ela faz questão de cumprir. "Nunca faltei numa eleição", conta, orgulhosa.

Só no Estado de São Paulo, 371.848 mulheres com mais de 79 anos devem votar nas próximas eleições de acordo com estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Desse total, 140.045 estão na capital paulista. Na faixa etária entre 70 e 79 anos, a previsão do TSE é que 774.313 mulheres votem em todo o Estado e 239.474 na capital.

Magdalena só está preocupada com a quantidade de candidatos que terá de escolher. "São muitos números", observa, acrescentando que já está anotando os que a interessam. Os nomes escolhidos, no entanto, ela prefere não mencionar, mas deixa escapar sua intenção de voto para presidente. "Uma mulher pode ser inteligente e estudada, mas a Presidência precisa de um homem."

Odilce Campos Fávaro, de 81 anos, também garante que vai cumprir seu dever de cidadã como sempre fez. "Às vezes, por um voto a pessoa não ganha", justifica. Ela é outra que não pretende ver uma figura feminina subindo a rampa do Planalto em janeiro de 2011. "Ele (José Serra) foi um bom ministro, um bom governador e um bom prefeito e ela (Dilma Rousseff) só está na frente por causa do Lula", comenta. "Ela é a sombra dele."

Sobre a ajuda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem dado à campanha de sua candidata, Odilce não considera correto. "O presidente devia ficar no lugar dele, sentadinho, quieto."

Ouvinte assídua do programa eleitoral do rádio pela manhã e atenta ao horário eleitoral da TV à noite, ela já fez suas escolhas também para governador e senador, só está em dúvida quanto aos deputados. "Alguns falam coisas boas, mas tem muita bobagem."

Moradora de Guareí, no interior paulista, Adalgisa Ana Braga, de 72 anos, discorda da opinião de Magdalena e Odilce quanto à figura feminina para ocupar o Planalto. "Mulher é muito mais honesta do que os homens, em tudo", acredita.

Quanto aos escândalos recentes envolvendo o PT e sua candidata, Adalgisa diz que isso não vai mudar seu voto. "É ciúme para querer rebaixar a Dilma. Ela não tem nada a ver com o passado", defende.

Embora tenha decidido que não vai votar este ano, a pernambucana Maria Luiza Oliveira da Nova, de 81 anos, está na torcida por Dilma. "Uma mulher na Presidência ou ajeita ou piora de vez", diz ela. "Nunca tivemos uma mulher presidente, se ela ganhar, vai ser uma maravilha."

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