Prédio da ABL retoma tons originais

Reforma redescobriu pintura e modernizou instalações; sistema de iluminação do Petit Trianon foi informatizado

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

O Petit Trianon da Academia Brasileira de Letras (ABL), prédio em que ocorrem as sessões solenes e o famoso chá dos acadêmicos às quintas-feiras, voltou a ter as características da época de sua inauguração, há 87 anos. O edifício histórico passou por seis meses de restauro e será reinaugurado na próxima quinta-feira, em comemoração aos 170 anos do nascimento de Machado de Assis.A obra devolveu a cor original das salas, o dourado dos ornamentos na parede, os detalhes das ferragens francesas e do embricado que emoldura as portas, que estavam perdidos sob camadas de tinta. "O prédio não estava deteriorado, mas descaracterizado. E não passava por reforma desde 1995, na presidência de Josué Montello", disse o presidente da Academia, Cícero Sandroni.A arquiteta Carmem D?Elia, responsável pelo restauro, descobriu que o salão nobre, onde os acadêmicos tomam posse, tinha a parede verde-oliva na época da inauguração. A cor estava escondida sob outros dois tons de verde e, por fim, o cinza azulado, cor da última pintura. Já na sala da meditação, onde os eleitos permanecem 15 minutos antes da posse, havia dois tons de castanho. "Foram necessários dois cortes - um horizontal e outro vertical - para recuperar as cores. Até os técnicos do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, que fiscaliza obra em prédio tombado) duvidaram que ali havia tons diferentes."Na fachada do prédio foi necessário recuperar as riscas que imitam o corte de pedras de mármore. Sandroni impressiona-se com as aldrabas, maçanetas giratórias das janelas, cujos entalhes e o dourado já não apareciam, por causa de tantas demãos de tinta e verniz. "É surpreendente como as ferragens são de tão boa qualidade que as aldrabas se mantiveram como novas", diz Carmem D?Elia.Além de devolver ao prédio detalhes perdidos, a obra modernizou as instalações. O sistema de iluminação foi informatizado e agora é embutido numa sanca; apenas os lustres ficaram à mostra. Aparelhos de ar-condicionado não enfeiam mais a fachada do Petit Trianon - a refrigeração agora é interna e silenciosa. "Fazia um barulho infernal", comenta Sandroni.O restauro foi feito no primeiro andar e vai se estender ao subsolo, afetado por infiltração. O Banco Itaú Cultural investiu R$ 400 mil na obra. Ainda falta arrecadar R$ 1 milhão. "Estamos usando recursos próprios e aguardamos o apoio prometido pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a conclusão dos trabalhos", disse Sandroni. O segundo andar, onde fica o salão do chá, será restaurado em outra etapa. Os salões recuperados serão inaugurados com a entrega do Prêmio Senador José Ermírio de Moraes a José Mário Pereira, autor do livro José Olympio - o Editor e sua Casa, editado pela Sextante. FRASESCícero SandroniPresidente da Academia"O prédio não estava deteriorado, mas descaracterizado. E não passava por reforma desde 1995"Carmem D?EliaArquiteta"Foram necessários dois cortes - um horizontal e outro vertical - para recuperar as cores. Até os técnicos do Inepac (Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, que fiscaliza obra em prédio tombado) duvidaram que ali havia tons diferentes."

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