FERNANDA RAMOS/Agência RBS
FERNANDA RAMOS/Agência RBS

Prédio da Boate Kiss será demolido e deve dar lugar a um memorial

Instituto de Arquitetos do Brasil organiza concurso público para homenagear vítimas da tragédia

Lucas Azevedo, Especial para O Estado

07 de junho de 2017 | 22h45

PORTO ALEGRE - O prédio da Boate Kiss em Santa Maria (RS) - marcado pela tragédia que deixou 242 mortos em 27 de janeiro de 2013 - será demolido e deve dar lugar, nos próximos dois anos, a um memorial. O Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) está organizando um concurso público nacional para transformar o imóvel em uma homenagem às vítimas da tragédia.

O objetivo é lançar o edital até agosto, de forma a escolher o melhor projeto arquitetônico, com a participação de profissionais de todo País. A estimativa é que todo processo custe R$ 250 mil - a ser pago por meio de financiamento - e dure até outubro. A perspectiva é de que até janeiro de 2018, mês do quinto ano do incêndio, o vencedor seja anunciado. 

A data deve coincidir com o início da demolição do prédio. Ao menos é o que espera a prefeitura de Santa Maria, que diz estar em tratativas com a Econ Empreendimentos, dona do imóvel. Oficialmente não são citados valores, mas nos bastidores apura-se que a construtora pede R$ 4 milhões pelo prédio. Três corretoras de imóveis farão as cotações para o imóvel. O plano da prefeitura é pagar a menor avaliação, depositando em juízo, adquirindo o espaço e começando sua demolição.

Seminários

No fim deste mês e de julho, dois seminários serão organizados pela Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia com o intuito de incentivar a participação da comunidade no concurso. O primeiro evento abordará o conceito de memorial e citará exemplos que ocorrem em diversos países, enquanto o segundo receberá sugestões para o local. O cronograma da prefeitura estima ainda que, após a demolição do prédio e a limpeza do terreno, a construção do memorial se estenda até 2019. 

“A prefeitura vem tomando todas as medidas para colaborar com Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da maior tragédia que nossa cidade já viveu. Desde a criação do Núcleo de Gestão Estratégica de Acolhimento, no início de janeiro, estamos atuando com a associação. A desapropriação do prédio e a construção do memorial é meu compromisso com essas famílias”, destaca o prefeito da cidade, Jorge Pozzobom (PSDB).

Parceria

De acordo com o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Sérgio da Silva, finalmente o poder municipal parece caminhar com os pais e sobreviventes. Foi criado, por exemplo, um Núcleo de Gestão Estratégica de Acolhimento, encarregado de promover a aproximação entre o poder municipal e a associação.

“O prefeito está dedicado a essa causa”, comenta Silva. “Mas o melhor memorial seria ter meu filho dentro de casa. Infelizmente não é possível. Então esse memorial será para lembrar das vítimas e evitar que tudo se repita”, afirma o pai de Augusto Sérgio, morto na tragédia da Boate Kiss aos 20 anos. 

 

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