Prédio do DOPS no Rio será sede do Arquivo do Estado

A cessão do antigo prédio do Departamento da Ordem Política e Social (DOPS), no centro do Rio, ao Arquivo Público do Estado, assinada ontem, revoltou os policiais civis. Entidades de defesa da categoria, que consideram a perda da construção uma "humilhação", estenderam faixas pretas no prédio, simbolizando luto. Em péssimo estado de conservação, o edifício, localizado no número 40 da Rua da Relação, foi construído em 1910 para sediar a Repartição Central de Polícia e dar mais eficiência à justiça e à polícia da então capital federal. O autor do projeto foi Heitor de Mello, um dos mais renomados arquitetos brasileiros do início do século. As delegacias que funcionavam no local serão transferidas.No fim da tarde, os policiais protestaram. "Estamos perdendo nossa identidade. Aqui funciona o museu da polícia. Nossa memória está sendo jogada no lixo", disse Jemmerson Dias, do Núcleo de Defesa dos Policiais Civis. "Nunca trabalhamos tão desmotivados. O governo não demonstra ter qualquer respeito pela Polícia Civil, o que fica evidente em ações como esta." Os agentes também se manifestaram contra os baixos salários. "Nosso piso é de R$ 150. É uma vergonha", disse Dias.Restauração - Segundo a diretora do Arquivo Público, Jessie Jane Vieira de Sousa, a ocupação do prédio será no próximo dia 25. Jessie disse que todo o projeto de restauração e adaptação do prédio será apresentado ao Ministério da Cultura e à Secretaria Estadual de Cultura. Serão necessários R$ 5 milhões para as obras e o dinheiro deve vir da iniciativa privada, por meio de incentivos fiscais.De acordo com o governo do Estado, o prédio foi cedido porque o Arquivo, criado há 70 anos e atualmente vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, nunca teve sede fixa. O termo de cessão foi assinado de manhã pelos secretários de Justiça e Segurança do RJ, João Luiz Duboc Pinaud e coronel Josias Quintal, pelo secretário de Estado de Governo, Fernando Willian e, também, pela diretora do Arquivo.A mudança constante de destino, segundo técnicos em documentação, ameaçou a manutenção de parte de seu acervo. Para o secretário de Justiça, a iniciativa do Estado em transferir o Acervo para novas instalações "marca uma nova era"."Estamos preparados para transformar este espaço de tortura em um espaço de conhecimento, e, sobretudo, resgatar a memória histórica de nosso país", disse Pinaud.

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