Prédio é ''blindado'' contra estranhos

Na escola onde estudava Isabella, professoras têm dificuldade para explicar morte a colegas de classe

O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2008 | 00h00

Um clima de blindagem total foi o que se viu ontem no Edifício London, na Parada Inglesa, zona norte da capital. O porteiro do prédio onde morreu a menina Isabella Nardoni, no sábado, mal falava com quem tocava o interfone. À imprensa, disse que não podia falar e desligou. Um motoboy que precisava levar o CD de um morador para a gráfica onde trabalha não foi autorizado a subir, como costuma fazer. Teve de esperar na rua, até que o cliente descesse com a encomenda.Diversos carros de reportagem movimentavam a rua do prédio e despertavam a atenção de curiosos, inclusive dos próprios moradores. Por volta das 16 horas de ontem, uma senhora observava a cena da janela com uma criança nos braços, mas recuou e se escondeu atrás da cortina assim que notou o aceno da reportagem.Moradores das casas e prédios vizinhos ao Edifício London, onde mora o casal Alexandre Alves Nardoni e Anna Carolina Trotta Peixoto, disseram ao Estado que estavam dormindo na hora da tragédia, no sábado, e que não viram nada. A poucos metros do prédio, uma pichação no muro pede justiça para o caso.Na casa do pai de Alexandre, Antônio Nardoni, no Tucuruvi, não havia qualquer movimentação. A família foi procurada pela reportagem, mas não quis falar. Pelo interfone, um homem que não quis se identificar afirmou que está se "falando muita bobagem" sobre o caso e que a família "quer respeito neste momento de dor".AMIGUINHOSA menina Beatriz, de 4 anos, neta da empresária Nadir de Almeida, foi informada pela família que sua melhor amiga, Isabella, foi viajar e iria demorar muito para voltar. "Mas anteontem ela viu uma foto da Isabella na TV e perguntou para o meu filho, que disse que era uma menina muito parecida", afirmou Nadir. Segundo a empresária, a família pretende dizer para Beatriz que Isabella "foi para o céu com o papai do céu e virou uma estrelinha"."A pessoa que jogou Isa da janela pensou que ela era o Super-Homem e que poderia voar", disse um dos amigos da menina a Elenice dos Santos, de 58 anos, diretora da Escola de Educação Infantil Cantinho da Alegria, na Vila Gustavo, zona norte, onde ela estudou até 2006.Os coleguinhas da menina não conseguiam entender o que ocorreu. "Eles viram tudo o que aconteceu na imprensa e chegaram cheios de perguntas", contou Elenice. "As crianças querem saber se foi o pai quem a matou ou se uma outra pessoa invadiu o apartamento", emendou.Em meio a dúvidas, as atividades na escola foram praticamente suspensas na segunda-feira. A diretora respondeu tudo o que os alunos perguntaram. "Eles estão tristes. Falei que Isa está no céu e eles começaram a mandar beijos e acenar para cima." Depois, Elenice juntou os alunos e eles rezaram.Com um sorriso cativante e um olhar maroto, a menina conquistou muitos amigos. Segundo a diretora, ela era carinhosa, esperta, estudiosa, alegre e, como toda criança, adorava brincar, principalmente com os meninos. Isabella usava o uniforme que pertenceu à mãe, Ana Carolina Cunha Oliveira, que estudou no Cantinho da Alegria quando criança. Desde 2007, a pedido do pai, Isabella mudou de colégio e passou a estudar na Escola Sir Isaac Newton, na Vila Gustavo, na zona norte, onde cursava a 1ª série do ensino fundamental. Apesar de não estudar mais com os colegas do Cantinho da Alegria, a diretora Elenice contou que alunos ajudam a preparar o comunicado da missa de 7º dia que será realizada na próxima sexta-feira, às 19h30, na Igreja da Candelária, na Vila Maria, zona norte. O convite terá uma foto da garota, assim como a camiseta que o avô da jovem deve fazer para os alunos usarem no ato. No dia 18, Isabella completaria 6 anos. "Como homenagem, uma aluna disse que faz questão de cantar ?parabéns? para ela no dia de seu aniversário", destacou Elenice.LAURA DINIZ, JOSÉ LUIZ DACAUAZILIQUÁ e MARCELA SPINOSA

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