Prédio histórico é reaberto no centro

Tombado pelo Conpresp, edifício da agência matriz da Nossa Caixa foi construído em meados do século passado

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

Por oito meses, o bancário Dagoberto Duzze Domingos andou 200 metros a mais para chegar ao trabalho. A partir de hoje, ele e os outros 53 funcionários da agência matriz da Nossa Caixa - instalados desde 14 de janeiro numa filial vizinha - voltam ao histórico edifício sede, no número 111 da Rua 15 de Novembro. E os paulistanos poderão, além de conferir os detalhes da reforma de R$ 1,9 milhão que durou até a semana passada, observar o painel de 14,5 metros por 1,4 metro com fotos antigas do centro da cidade que o departamento de marketing do banco mandou instalar numa das paredes para celebrar a reabertura. "Lá é diferente. O espaço é bem mais amplo", comenta Domingos.Projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo, Severo Villares e Companhia, o edifício começou a ser construído em 1941, para o Instituto Brasileiro do Café. Com a 2ª Guerra Mundial, o dinheiro minguou e as obras se arrastaram, com sucessivas interrupções, por uma década inteira. Só em 1951 os trabalhos recomeçam a todo vapor e o prédio ficou pronto.O artista plástico italiano Gaetano Miani foi contratado pelo instituto e deixou quatro obras ali: A Conquista Tomada do Tosão de Ouro, um afresco de 2,67 por 8,30 metros; Bandeirantes, pintura em cerâmica azul e ouro de 4 por 4 metros; Riquezas do Brasil, pintura em esmalte sobre cobre composta por seis figuras, cada uma com 1 por 0,8 metro; e Brasil Dá Café ao Mundo, escultura em cerâmica revestida de cobre. Destas, apenas a última não fica em exposição na agência reaberta hoje.Quando o banco comprou o prédio, em 1956, incorporou a seu acervo cultural as obras de Miani. O próprio artista plástico foi chamado, em 2004, para restaurar suas criações. Tombado no ano passado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp), o edifício passou nos últimos meses pela maior reforma de sua história. Degradados pelo tempo, os caixilhos tiveram a cor verde original recuperada e as ferragens em latão da porta de vidro principal polidas. O piso, de granito, e as paredes e pilares, de mármore, também foram restaurados, mantendo as tonalidades originais e os desenhos dos veios das pedras.Os três pisos da agência - um total de 1,5 mil metros quadrados - passaram pelo processo. Todas as instalações hidráulicas e elétricas foram modernizadas. "Nossa preocupação era preservar a estrutura, de alto valor histórico, e, ao mesmo tempo, melhorar o conforto das pessoas que circulam pela agência. Além de aumentar o nível de iluminação, que era muito baixo", explica o arquiteto Paulo Yokomizo, que concebeu o projeto há quase três anos. "O prédio estava muito defasado. Nunca havia passado por uma reforma completa assim."

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