Prédios antigos de Santos despencam à espera de obras

Dos 1.805 edifícios do centro histórico listados pela prefeitura para programa de revitalização, só em 431 reforma saiu do papel

Márcio Pinho/ SANTOS,

16 Abril 2011 | 17h57

 

  Imóveis do centro histórico de Santos estão despencando à espera da adesão dos proprietários e de patrocinadores ao projeto de revitalização lançado há oito anos pela prefeitura, o Alegra Centro.

 

Atrás de fachadas com características da arquitetura do século 19 e de pequenos prédios do século 20 que lembram palacetes, famílias se aglomeram em cortiços e quartos são usados para prostituição. Alguns perderam telhados e paredes e estão tomados pela vegetação. Vários dos que abrigavam comércios estão fechados.

 

Ao lado do porto, o centro marcou o surgimento da cidade. Com os anos, a população migrou para a orla, onde hoje sobem espigões de 30 andares. O desenvolvimento contrasta com o centro, que vive a expectativa de um novo impulso de revitalização com a instalação da nova sede da Petrobrás, em breve.

Desde que o Alegra Centro foi lançado, 431 imóveis entre 1.805 listados receberam obras de conservação ou restauração. Entre os 889 prédios de relevância histórica e cultural, foram concedidas 287 isenções fiscais - a prefeitura não informou para quantos imóveis. A modalidade patrocínio, um dos incentivos, só foi aproveitada em dois locais.

 

Os prédios revitalizados se concentram na parte mais nobre da região, em ruas como a 15 de Novembro e a do Comércio. O local é próximo de escritórios e da prefeitura, que enterrou a fiação e deu nova iluminação ao trecho, o que ajudou a convencer os proprietários a investir. Cortiços viraram bares e casas noturnas. Quem anda em outras áreas do centro, porém, depara-se com a degradação. Na Rua Senador Feijó, toda a fachada de um sobrado despencou. O imóvel em frente, também histórico, sofreu incêndio há alguns anos. Prédios mais novos também têm problemas - a marquise de um deles caiu em janeiro e matou um homem de 33 anos.

 

Mas o secretário de Planejamento de Santos, Bechara Abdalla Pestana Neves, avalia o programa de forma positiva. Segundo ele, o projeto tem conseguido reformar imóveis apoiando-se na retomada da atividade econômica. O número de empresas, por exemplo, subiu 46% e hoje é de 5.648. O número de imóveis fechados caiu 62%.

"O centro é dotado de toda a infraestrutura.

 

Precisávamos criar um mecanismo que a usasse de forma mais racional em todos os períodos. Os bares foram uma boa opção em uma cidade turística como Santos e numa região onde não tem ninguém dormindo à noite." Neves afirma que a implementação do Alegra Centro é feita por etapas.

 

A Secretaria de Edificações e Obras afirma que os dois imóveis que tiveram problemas neste ano já tinham duas intimações e receberam multa. Foram intimados para recompor fechadas 19 prédios.

 

Moradias. A revitalização do centro entrou em uma nova etapa há 5 meses, com a criação do Alegra Centro Habitação. A prefeitura se reuniu com proprietários e espera que eles se prontifiquem a reformar os imóveis aproveitando os incentivos. Até agora, não houve adesões.

 

Vivem em situação de cortiço cerca de 14 mil pessoas, segundo a Associação de Cortiços do Centro. A presidente Samara Conceição, de 53 anos, divide um imóvel com outras 20 e reclama do descaso. "Escutamos promessas há vários anos, mas nada é feito. A prefeitura abandonou isso aqui e quer retirar a população pobre do centro."

 

A insalubridade impera nos cortiços e doenças como a dengue costumam aparecer. No momento, os moradores constroem conjuntos habitacionais para 180 apartamentos com verba federal e uma parcela estadual. A prefeitura afirma que apoiou o projeto e mudou o zoneamento para que fosse executado. / COLABOROU FLÁVIA TAVARES

 

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