Prédios residenciais chegam à Berrini

Mudança de perfil pode levar ?vida? à avenida dos centros empresariais

Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Construída na década de 80 para ser uma nova versão da Avenida Paulista, a Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, zona sul, copiou apenas os prédios imponentes e os congestionamentos. De resto, virou uma via sem planejamento, sem comércio e, principalmente, sem vida. Segundo dados da Empresa Municipal de Urbanização, a região tem cerca de 35 centros empresariais - onde estão prédios da Microsoft, Rede Globo, Terra, Hewlett Packard, Claro e Vivo. Na mesma avenida onde estão essas empresas de tecnologia e comunicação, há apenas três padarias, seis bares e duas lojas de serviços. Uma situação que pode mudar com a chegada de prédios residenciais. Arquitetos, urbanistas e especialistas do mercado concordam que a Berrini simplesmente não deu certo - pelo menos até agora. A partir das 20 horas quase não passam carros pela avenida - algumas esquinas já foram consideradas as mais perigosas da região pelo grande número de assaltos.Agora, a Berrini inicia um processo de transformação que pode trazer não só empresários, como mais moradores para o entorno. Uma mudança de perfil impulsionada pela construção da Ponte Estaiada, gigante de 138 metros que será inaugurado até março, e com a integração da linha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos com a futura Estação Pinheiros do metrô. Em apenas cinco quarteirões, é possível contar seis empreendimentos residenciais que serão lançados até 2010. São cerca de 1.500 apartamentos novos - boa parte das unidades custa no mínimo meio milhão de reais. A possibilidade de chegada de novos vizinhos está fazendo com que prédios construídos na década de 80 sejam implodidos para dar lugar a imóveis mais modernos e integrados com a avenida. Em maio, por exemplo, foi implodido um prédio de 13 andares que pertencia ao Grupo Pão de Açúcar para dar lugar a várias torres comerciais e residenciais."No Brasil as coisas não são planejadas, elas simplesmente acontecem", diz Daniel Cherman, diretor comercial da Tishman Speyer, que vai lançar um prédio de escritórios e outro residencial na avenida em 2007. "A Berrini acabou sendo desenvolvida pelo mercado. Mas agora, temos as condições para mudar a situação, seja pelos novos empreendimentos ou pelas obras do governo. Mais gente morando na região significa mais comércio e mais vida."A arquiteta, urbanista e socióloga Mariana Fix não é tão otimista. "A Berrini ainda é o melhor exemplo de via que não tem relação com o espaço público", diz. "Não há conversa de calçadas, as pessoas chegam com seus carros ou helicópteros para trabalhar, saem no fim da tarde e acabou. Não tem desenho urbano, cada prédio é uma cidadezinha. É difícil acabar de uma hora para outra com essa lógica. O paulistano acabou se acostumando a ela."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.