Prédios velhos investem em ''plástica''

A onda do retrofit - modernização de prédios antigos - já dominava mercados imobiliários como o americano, mas em São Paulo nunca tinha dado muito certo. Isso no passado. Agora o retrofit começa a ganhar espaço na cidade, na chamada "customização de condomínio": instalação de equipamentos de lazer parecidos aos oferecidos pelos lançamentos. Não é apenas a grama do vizinho que está mais verde, mas também o espaço gourmet, a sala de ginástica, a piscina aquecida, a varanda gigante e outros espaços destacados nos anúncios publicitários.A desvalorização assombrava os moradores de um dos primeiros condomínios-clube de São Paulo, na Vila Mariana, zona sul, quando a síndica recém-empossada, a professora aposentada Marta Maria Silva, resolveu pôr a mão na massa. "O visual dos prédios era feio. Apartamentos de três dormitórios chegaram a ser vendidos por R$ 180 mil. Veja bem, estamos a poucas quadras do Parque do Ibirapuera", conta.O condomínio é formado por seis prédios e 304 apartamentos. A síndica construiu salão de jogos e reformulou a piscina. Mas o que mais desafiou sua criatividade foram as fachadas. Em vez de investirem em uma repaginação geral, os condôminos resolveram recuperar o desenho original, moderno, com tijolinho e concreto aparentes. "Depois que as reformas começaram, ninguém vende um três-dormitórios por menos de R$ 270 mil e não há mais unidades à venda."A diferença entre o retrofit e uma reforma de manutenção é que no primeiro caso há uma reformulação geral do edifício, da aparência externa aos equipamentos de uso comum, passando pela estrutura e pelos encanamentos. Não há números de quantos são feitos atualmente em São Paulo, porque a maioria não depende de autorização da Prefeitura.Em cidades como Nova York, praticamente não se constrói mais edificação nova. O bairro do Soho é o exemplo mais conhecido de retrofit generalizado. Quase todos os edifícios antigos foram reformulados. Nos Estados Unidos, para incentivar a economia de energia elétrica e de água, há leis de incentivo e subsídios para a reforma de prédios antigos.INVESTIMENTONo mercado, há uma máxima de que o retrofit vale cinco vezes o que é investido. Ou seja: ao gastar R$ 20 mil em uma reforma, o proprietário pode acrescentar R$ 100 mil ao valor final do imóvel. Hoje, até os bancos estão investindo em linhas de crédito para financiar retrofit.Administradores de condomínio são unânimes em apostar no modelo como o futuro dos prédios antigos de São Paulo. "As instalações hidráulicas e elétricas são, na verdade, o principal alvo. Porque reformá-las produz economia", afirma Angélica Arbex, gerente de Marketing da Lello, uma das maiores empresas do setor na capital.Os chamados "itens de lazer" deveriam vir depois, mas vêm antes. "Até há uma vantagem em criá-los em condomínios já existentes: a customização do condomínio. Só se constrói o que vai ser usado, enquanto nos novos há espaços que acabam subutilizados", diz a gerente.A aposta no retrofit, segundo analistas, ocorrerá pelo que se chama de crise de localização, quando os terrenos mais bem localizados estiverem todos ocupados por prédios. Modernizá-los, então, será a saída para o setor, que hoje vive de lançamentos de genuínos clubes, continuar crescendo no mesmo ritmo eufórico de hoje.

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