Prefeita acusa Vale de descumprir acordo de água em Valadares

A cidade, cortada pelo Rio Doce, teve o abastecimento suspenso com a chegada da lama das barragens da Samarco

Leonardo Augusto, Especial para O Estado

13 Novembro 2015 | 19h57

BELO HORIZONTE - A prefeita de Governador Valadares, Elisa Costa (PT), acusou a Vale de não cumprir acordo fechado pela empresa para fornecimento de água ao município. A cidade de 280 mil habitantes, cortada pelo Rio Doce, teve o abastecimento suspenso com a chegada da lama das duas barragens da mineradora Samarco - que tem a Vale e outra mineradora, a BHP Billiton, como controladoras. As barragens se romperam em Bento Rodrigues, distrito de Mariana. Segundo a prefeita, vagões-tanque que foram para a cidade chegaram vazios.

"A presidenta Dilma determinou que os vagões da Vale não sejam oferecidos vazios. Que cheguem aqui pela Vale vagões cheios de água tratada. Que a Vale busque onde tiver. Os vagões que estão aqui estão vazios", afirmou a prefeita, em coletiva no final da manhã desta sexta-feira, 13, divulgada nas redes sociais. Segundo a prefeita, a cidade precisa de 15 milhões de litros por dia para abastecimento da população. Somente para instituições como hospitais, escolas e asilos, são necessários 3,2 milhões litros por dia.

Elisa disse ainda que, para tentar garantir o abastecimento de água na cidade foram tomadas medidas como a ampliação da captação em outros rios de menor porte que passam na região e de um poço artesiano próximo da cidade. Na quarta-feira, a Justiça de Minas Gerais, atendendo pedido do Ministério Público de Minas Gerais, decidiu que a Samarco terá que arcar com os custos de fornecimento de água a Governador Valadares. 

No pedido são exigidos 800 mil litros de água por dia para estabelecimentos de saúde, escolas, abrigos, Corpo de Bombeiros e reserva estratégica do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae); 80 carregamentos de caminhões-pipa; 80 mil litros de diesel (para busca da água da Copasa na cidades de Marilac, Frei Inocêncio e Ipatinga, vizinhas a Valadares); R$ 70 mil por dia para comunicação; contratação de 100 agentes de endemias; 50 reservatórios de 30 mil litros e bombas; veículo de tração 4x4, barco com motor de popa e 6 coletes salva-vidas para a Defesa Civil; e 130 mil bombonas (barris de plástico para armazenamento de água) de 50 litros para as residências. A Justiça deu prazo de 72 horas para que as determinações fosse cumpridas.

Em nota, a Samarco afirmou que "desde o momento do acidente, a empresa tem mantido contato permanente com as autoridades competentes e com a prefeitura do município, com o objetivo de mitigar os impactos no abastecimento de água. Até o momento, foram enviados 38 caminhões-pipa e, além do envio dos caminhões, a empresa está estudando em parceria com as autoridades, novas alternativas de captação de água para a região". 

Disse ainda que por meio do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE), foram enviados ao município de Governador Valadares (MG) "mais de 2 milhões e 500 mil litros de água para ajudar no abastecimento dos moradores da cidade, além de 13 mil litros de água potável. Todos os esforços necessários estão sendo feitos para ampliar a capacidade diária de abastecimento que, a partir de amanhã, passa a ser de 2 milhões e quatrocentos mil litros por dia".

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