Prefeito acusa vice da morte de advogado em Itu

O prefeito de Itu, Herculano Castilho Passos Júnior (PV), acusou nesta segunda o vice-prefeito Élio Aparecido Oliveira Júnior (PSC) de participação na morte do advogado Humberto da Silva Monteiro, de 54 anos, assassinado com um tiro na cabeça, dia 26 de janeiro. Em entrevista à imprensa, ele disse que não tem dúvidas do envolvimento do vice, sobretudo após a prisão de cinco suspeitos do crime. "Dois deles eram ligados ao Oliveira." Os acusados apontaram como contratantes o ex-policial militar Nicéias Oliveira Brito, chefe da segurança do vice-prefeito. Segundo Herculano, esse homem, que está sendo procurado pela polícia, já havia atacado o advogado anteriormente. Monteiro foi derrubado da moto em que estava e, chutado, teve os dentes quebrados. Herculano Júnior pediu reforço na segurança de sua família. Ele é acompanhado por dois policiais. "Estou bem protegido, mas temo pelos meus familiares." O delegado que investiga o caso, Nicolau Santarém, não quis se pronunciar. Segundo ele, as investigações ainda não foram encerradas. O crime aconteceu na região central da cidade. O advogado deixara a prefeitura no veículo do jornalista Josué Dantas Filho, que estava ao volante. Quando parou em um semáforo, uma moto com duas pessoas emparelhou e um de seus ocupantes fez cinco disparos. Monteiro morreu na hora; o jornalista não foi atingido. O crime aconteceu a 100 metros da Delegacia de Polícia da cidade. A Polícia Civil já obteve um mandado para a prisão de Brito, que continua foragido. Pista falsa Os policiais detiveram nesta segunda, em Santos, um homem que estava usando o celular de Brito. Segundo informações, ao saber que suas ligações estavam sendo monitoradas pela policia, o acusado criou uma pista falsa, entregando o celular a outra pessoa. Desde sábado, os acusados Luiz Henrique Brito, Benedito Morales de Azevedo, Lauriano Pereira e Eimael Pinheiro de Sá, além de um menor de idade, estão detidos na Cadeia Pública de Itu. O primeiro teria feito os disparos. A arma do crime foi apreendida e encaminhada para perícia. Também foi apreendida a moto utilizada pelo bando. Um dos presos, Morales é chefe da Torcida Organizada do Ituano F.C., comandada pelo vice-prefeito. Briga política O prefeito e o vice estão rompidos desde maio do ano passado. O vice chegou a apresentar na Câmara um pedido de cassação do prefeito, alegando irregularidades em contratos. Os documentos foram enviados também ao Ministério Público. Se Herculano fosse cassado, Oliveira Júnior assumiria a prefeitura. O ex-policial acusado de ter contratado os autores do crime era chefe da Guarda Patrimonial da prefeitura. Após o racha entre os dois políticos, ele passou a trabalhar como chefe da segurança do vice. Um dia depois do crime, o deputado federal Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP), cunhado do prefeito, afirmou que se tratava de crime político e pediu à Secretaria de Segurança Pública do Estado rapidez na apuração. O prefeito e o jornalista passaram a andar com segurança policial. Nesta segunda, Dantas Filho pediu que sua segurança fosse reforçada. Segundo ele, um dos presos afirmou que o jornalista também deveria ter sido morto. Ituano Oliveira Júnior é dono da Ituano Sociedade Civil de Futebol Ltda, empresa que arrendou o futebol profissional do Ituano, equipe que disputa a série A do campeonato paulista. Também possui a O.J. Marketing, que administra a carreira de vários jogadores de futebol no Brasil e no exterior. Ele foi, no passado, procurador do lateral Roberto Carlos, do Real Madri. Atuando como apresentador da TV Convenção, de Itu, vinculada à TVE, o empresário entrou na política na última eleição, concorrendo a vice na chapa encabeçada por Herculano. O advogado assassinado trabalhou durante 6 anos para Oliveira Jr. Quando este brigou com o prefeito, Monteiro ficou do lado de Herculano.

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