Prefeito acusado de pedofilia presta depoimento no Senado

Geraldo Machado foi ouvido pela CPI da Pedofilia e disse ser inocente da acusação de abuso contra 3 crianças

Agência Brasil,

05 Agosto 2009 | 16h02

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia do Senado ouviu nesta quarta-feira, 5, o depoimento do prefeito do município de Sebastião Barros (PI), Geraldo Eustáquio Machado, acusado de ter praticado abuso sexual contra três crianças. Acompanhado de dois advogados, o prefeito se disse inocente, mas respondeu a poucas perguntas feitas pelo presidente da CPI, senador Magno Malta (PR-ES).

 

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Apesar de o depoente ter-se negado a responder à maior parte das perguntas, Malta afirmou que o resultado do depoimento foi positivo e que pretende convocar o prefeito para uma acareação, entre ele, sua esposa e a mãe de uma das crianças molestadas. "Foi um depoimento muito bom, porque aqui, ele não falando, está falando", avaliou o presidente da CPI. "Ele falou muita coisa. Sei porque perguntei e quando a pessoa me dá uma negativa, eu e ele sabemos porque ele está me dando a negativa e porque não quer falar", complementou Malta.

 

Visivelmente constrangido, Machado se absteve de responder a perguntas que, na prática, não o incriminariam, como se ele achava que a prática de pedofilia seria uma doença. Após o depoimento, o prefeito limitou-se a dizer que sentia-se injustiçado, mas preferiu não falar como se defenderia das acusações.

 

Acompanharam o depoimento dois pais de crianças que acusaram o prefeito de Sebastião Barros de pedofilia. Um deles, Raimundo Augusto da Silva Vieira, presidente da Câmara Municipal de Correntina, afirmou estar muito constrangido com a situação, mas que vai às últimas consequências para que Machado seja punido. "Gutão", como é mais conhecido em seu município, contou à Agência Brasil que era amigo muito próximo de Machado e que as duas famílias eram bastante unidas.

 

Segundo ele, o abuso de sua filha L., de 5 anos, que sofre de câncer, ocorreu durante uma viagem entre o município de Sebastião Barros e Teresina, capital do Piauí. De acordo com relato da menor, ainda no trajeto, Machado teria colocado a menina no colo e, com a ajuda de travesseiro, para disfarçar a cena, colocou a mão da menina em seu órgão genital. "Nunca imaginei que ele fosse capaz de tal absurdo, ainda mais da minha própria filha", disse Gutão.

 

Para quinta-feira, 6, está marcada reunião para ouvir dois acusados de participação no abuso sexual de dez crianças na cidade de Catanduva (SP). Segundo Magno Malta, foram convocados um médico e um empresário. "Eles têm que ser ouvidos por nós, um médico e um empresário muito rico, acusados de molestar crianças em Catanduvas, em uma ligação com o Zé da Pipa, que está preso, que era o cafetão que fazia o aliciamento dessas crianças. Não poderíamos fechar o ciclo sem ouvi-los", disse o senador.

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