Prefeito admite pedido de emenda federal

O prefeito de Birigui, Wilson Borini (PMDB), disse ontem que procurou parlamentares da base evangélica na Câmara dos Deputados para conseguir emendas para sua cidade. Adversário do deputado estadual Roque Barbiere (PTB), pivô do escândalo do emendoduto na Assembleia Legislativa, o peemedebista também admitiu que os eleitores evangélicos fazem parte da estratégia de seu grupo político para eleger o sucessor em 2012.

Chico Siqueira, especial para O Estado, Araçatuba, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h01

"Sem os votos dos evangélicos, ninguém sobrevive. As pesquisas mostraram que o número de famílias evangélicas dobrou em nosso município nos últimos sete anos, saltando de 11% para 22% da população", argumentou Borini, que venceu Barbiere na campanha à reeleição, em 2008. O prefeito é católico e diz ter recebido apoio dos evangélicos nas eleições de 2004 e 2008.

Ontem, o Estado revelou que parlamentares evangélicos na Câmara e na Assembleia destinaram mais de R$ 5 milhões em repasses federais e estaduais para Birigui, cidade onde têm pouca votação e atuação política. Essa "invasão" estaria entre os motivos que levaram Barbiere a dar declarações sobre o esquema de negociação de emendas.

Borini admitiu ter procurado em 2009 os deputados federais Antonio Bulhões e Roberto Alves, ambos do PRB, para pedir verba federal para Birigui. "Para mim, não importa se são evangélicos ou não. Se eles mandaram, é porque deveriam estar com esses recursos sobrando por lá."

Para o prefeito, é "previsível" a atuação de deputados estaduais evangélicos no reduto eleitoral de Barbiere. Quatro parlamentares destinaram R$ 1,3 milhão em emendas para a região.

"Há espaço porque, de deputado estadual nesta região, só existe ele", disse Borini. "Além disso, o Barbiere praticamente esqueceu nossa região. Para Birigui, ele não manda uma emenda há pelo menos sete anos."

Na entrevista a um site de Araçatuba, estopim do emendoduto, Barbiere disse que Borini queria vê-lo "morto" e que precisava "de um amigo na prefeitura". Se depender de Borini, esse "amigo" não será eleito em 2012. O prefeito vai apoiar a candidatura de Pedro Felício Barnabé, do PDT, cujo vice-presidente do diretório local é evangélico.

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