Prefeito culpa governo estadual pelo pânico no Rio

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), responsabilizou hoje o secretário de Segurança do Estado, Roberto Aguiar, pelo fechamento de lojas e escolas na última segunda-feira e questionou a atitude da governadora Benedita da Silva (PT). Ao saber que Aguiar tinha conhecimento das ameaças duas semanas antes do ocorrido, desde o dia 16 de setembro, o prefeito foi taxativo. "Ou o secretário avisou a governadora e esta se omitiu, e é um caso grave de omissão dolosa da autoridade maior, ou ele não informou a governadora e deve ser demitido já", afirmou.O Ministério Público com autorização judicial interceptou um telefonema entre traficantes do Comando Vermelho presos em Bangu 1 que planejavam fechar o comércio do Rio para espalhar o terror entre a população. ?Vai ter situação aí que você vai ficar ligado, que todas as firmas vão fechar, para mandar parar tudo. Dar blecaute na zona sul, tem que parar tudo, comércio geral, parar tudo?, afirmou o traficante Marco Antônio Tavares, o Marquinhos Niterói, no dia 15 de setembro, de dentro do presídio.O secretário de Segurança disse que os "fatos mostrados pelas fitas do Ministério Público e o que aconteceu na segunda-feira são coisas distintas". Ele descartou a hipótese de ligação entre as ameaças feitas pelo traficante Marquinhos Niterói nas gravações e o fechamento do comércio porque, na conversa, o criminoso diz que a ação se daria "amanhã ou depois". A gravação é de 15 de setembro. Aguiar disse que a Secretaria de Segurança decidiu não divulgar o teor das gravações antes para "preservar o caráter sigiloso e também proteger os promotores do MP". "Nunca vou divulgar fitas. Isso nos retira os fatos e coloca em risco a vida de pessoas."Roberto Aguiar disse ainda que o governo está analisando "o uso racional de suas forças" e, por enquanto, não pensa em pedir o auxílio das Forças Armadas para garantir a tranqüilidade no dia das eleições. Segundo ele, a governadora não foi informada imediatamente quando as fitas chegaram porque "ela só é informada do resultado das investigações". Benedita disse que vem acompanhando desde meados de setembro as investigações sobre o conteúdo das fitas. ?Temos um serviço de inteligência funcionando. Não podemos revelar nada antes de estabelecermos uma estratégia de combate. É claro que é inevitável que as pessoas tenham medo. Mas não existe nesse momento nada que possa identificar uma falta de comando, falta de governo. Porque nós estamos agindo na medida em que as coisas acontecem?, afirmou a governadora, em entrevista à Rádio CBN, na manhã de hoje.Para a governadora, a ordem de fechar o comércio foi uma reação do tráfico às ações do seu governo. ?Nós estamos combatendo e eles estão reagindo. E nós não organizamos o crime. Se eles têm a estratégia deles, nós temos a nossa?, afirmou.O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Braz, disse hoje que, apesar de a Secretaria de Segurança ter conhecimento do conteúdo das gravações a polícia só poderia ?ficar de prontidão?. ?O que se espera que a polícia faça diante de ameaças? Estávamos de prontidão esperando o dia, a hora e o local que pudesse acontecer?, declarou. Ele afirmou ainda que foi correta a decisão de não avisar aos comerciantes o que poderia ocorrer. ?Isso não é atitude policial em nenhum lugar do mundo.?

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