Prefeitura de Angra dos Reis/via Reuters - 02/04/2022
Prefeitura de Angra dos Reis/via Reuters - 02/04/2022

Prefeito de Angra dos Reis pede desligamento de usinas nucleares

Solicitação foi motivada pela interdição de estradas da região após fortes chuvas e deslizamentos; 'estamos ilhados', destacou

Daniela Amorim e Bruno Villas Bôas, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2022 | 14h50
Atualizado 04 de abril de 2022 | 15h11

RIO - O prefeito de Angra dos Reis, Fernando Jordão (MDB), pediu o desligamento das usinas nucleares instaladas no município enquanto as estradas da região estiverem interditadas em decorrência dos temporais. "Já disse ao presidente da Eletronuclear que nós vamos pedir o desligamento das usinas nucleares", declarou o prefeito em vídeo postado em redes sociais.

Jordão informou já ter conversado sobre o assunto com a Procuradoria do Município e com o ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio. "Pedi ao ministro da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, o desligamento das usinas nucleares de Angra. Com as estradas fechadas por causa das chuvas, estamos ilhados! Em caso de necessidade, não teremos como colocar em prática o plano de emergência enquanto as principais vias de acesso ao município estiverem interditadas.", publicou Jordão, no início deste domingo, 3.

A Eletronuclear, operadora das usinas nucleares de Angra dos Reis, reiterou neste domingo, 3, que o Plano de Emergência Externo (PEE) para o caso de emergência na central nuclear não está comprometido por conta das quedas de barreiras nas estradas da Costa Verde, no sul do Estado do Rio de Janeiro. No sábado, 2, a estatal havia informado que as usinas nucleares Angra 1 e 2 operavam normalmente, com capacidade total, não tendo sido afetadas pelos temporais. 

Segundo a Eletronuclear, as usinas nucleares seguem operando, a plena capacidade, gerando energia para o Sistema Interligado Nacional (SIN). A estatal informou que, se fosse necessária, a evacuação de trabalhadores da empresa e da população seria feita pela rodovia BR-101, no sentido de Angra e Paraty. De acordo com a empresa, as obstruções verificadas nessa rodovia federal estão fora da chamada Zonas de Planejamento de Emergência (ZPE) previstas no plano de emergência das usinas.

"Segundo os procedimentos estabelecidos no plano, em caso de emergência, a evacuação poderia abranger pessoas localizadas num raio de até 5 km da central, que seriam levadas para abrigos situados a até 15 km das usinas. Esses abrigos também não foram atingidos pelas chuvas ou por deslizamentos de terra. Dessa forma, no momento, a ação poderia ser realizada com total eficácia", informou a empresa.

Conforme a empresa, os pontos de interdição da Rodovia Rio-Santos estariam distantes da área de abrangência do Plano de Emergência Externo (PEE) da central nuclear. A companhia informou ainda que estava contribuindo com maquinário e pessoal para auxiliar na desobstrução das estradas.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), órgão regulador e fiscalizador do setor nuclear brasileiro, também emitiu uma nota afirmando que “apesar da situação decorrente das condições meteorológicas na região de Angra dos Reis, até o presente momento não há comprometimento das vias de acesso do entorno da central que pudessem impactar na execução do Plano de Emergência”.

As fortes chuvas dos últimos dias já deixaram pelo menos 16 mortos em diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro. Em Angra dos Reis, no litoral sul fluminense, foram confirmadas oito mortes, mas há relatos de mais sete moradores ainda desaparecidos. Em Paraty, também na Costa Verde, outras sete pessoas da mesma família morreram: uma mãe e seis filhos. Mais um homem morreu em Mesquita, na Baixada Fluminense.

A Polícia Rodoviária Federal alertou na manhã deste domingo que a Rodovia Rio-Santos, a BR-101, registrou nova queda de barreira provocada pelas chuvas e alertou que motoristas não trafeguem mais pela via até que a situação seja novamente controlada. A encosta é considerada instável em vários trechos, que estão sob risco de novos desabamentos. Uma queda de barreira destruiu o posto da PRF em Paraty.

“A orientação da PRF é de não acessar mais a rodovia para a segurança do usuário, o trecho só chegará perto de ser normalizado em alguns dias”, alertou a Polícia Rodoviária Federal, em nota à imprensa. O trecho crítico se estende desde o município fluminense de Mangaratiba até Ubatuba, em São Paulo.

A Rodovia Rio-Santos amanheceu neste domingo, 3, com diversos bloqueios provocados pelas chuvas, assim como a RJ-155 e a Estrada do Contorno. Na Rio-Santos, havia vários pontos de interdição parcial e total devido a deslizamentos e alagamentos. Antes do novo desabamento, o trânsito já estava totalmente impedido em pelo menos seis pontos, na altura dos municípios fluminenses de Mangaratiba, Angra dos Reis e Paraty e de Ubatuba, em São Paulo.

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