Prefeito de Campinas sofria ameaças, diz vereador

O vereador Ângelo Rafael Barreto (PT) divulgou hoje uma nota à imprensa, na qual detalha a conversa mantida no mês passado entre ele e o prefeito de Campinas, Antônio da Costa Santos (PT), assassinado na última segunda-feira. Durante a conversa, Costa Santos teria afirmado que vinha recebendo ameaças de morte. Ontem, conforme noticiou a Agência Estado, o delegado seccional de polícia de Campinas, Osmar Porceli, que comanda as investigações do assassinato, informou que vai investigar as denúncias de ameaças assim que receber uma comunicação formal. Veja s seguir trechos da nota do vereador:As ameaças a Toninho do PT:Ainda transtornado e inconformado com o covarde assassinato do prefeito Antônio da Costa Santos quero apresentar alguns esclarecimentos acerca de um diálogo que mantive com Toninho recentemente. Foi uma conversa de aproximadamente uma hora, há mais de 20 dias, no gabinete de prefeito. A pauta tratava exclusivamente das atividades do meu mandato e do mandato do Executivo.A certa altura da conversa discorríamos sobre as dificuldades que enfrentamos quando governamos. Foi aí que eu disse a Toninho: "É prefeito, os desafios não são poucos e na maioria das vezes incomodamos muita gente". O prefeito emendou: "É verdade. Não é fácil. Aqui já estão chegando ameaças. Tenho recebido ameaças". "Ameaças, prefeito? ", indaguei. "É. Mas eu não vou mudar minha atuação e não vou me deixar intimidar por causa disso", disse Toninho.E, como quem não pretende mais esticar o assunto, o próprio Toninho retornou ao que vínhamos tratando antes. Entendi aquilo como um momento de desabafo, de quem por um instante ficou preocupado e quis comentar o que se passava.Portanto, quero elucidar que, em nenhum momento comentou-se de que forma estariam vindo as tais ameaças; se por telefone, por e-mail, por carta ou qualquer outro meio. Infelizmente, e hoje eu lamento muito isso, não nos aprofundamos no assunto. Creio, sim, que de fato os atos do prefeito vinham incomodando muitos segmentos, conforme ele mesmo confidenciou. Mas desconheço qualquer especulação que vá além disso. Resta exigir justiça e carregar uma grande dor no peito. Pretendo, nos próximos dias, relatar tudo isso ao diretório e à bancada do PT. Vou propor que façamos um documento pedindo que o forte indício de crime político seja investigado à exaustão. Não acredito que Toninho estivesse brincando quando confidenciou estar sofrendo ameaças. E se houve ameaças, há, sim, indício de crime político?.

Agencia Estado,

13 de setembro de 2001 | 16h30

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