Prefeito de Cubatão diz que manifestação é política

Por volta da 1h30 da madrugada deste sábado, o prefeito de Cubatão deu um depoimento à Rádio Eldorado afirmando que a manifestação que interditou o trânsito na Via Anchieta durante mais de cinco horas, na noite desta sexta-feira e início da madrugada de sábado, tem fundo político, e foi organizada pela oposição à sua administração. Segundo disse o prefeito com ironia, ?amigos de Cubatão? são responsáveis por tudo o que ocorreu. O prefeito acredita que, com a inauguração da segunda pista da Anchieta, a situação de Cubatão vai melhorar e ?eles querem que piore?.Já em entrevista à Rádio Bandeirantes, o secretário de Obras de Cubatão, Edson Freitas, disse estar surpreso com a manifestação. ?É lamentável tudo o que ocorreu. Ainda ontem tivemos reuniões com a população do Cota 200 e a Ecovias para tentar encontrar saídas para a reclamação dos moradores com relação à falta de acesso a suas casas depois que for inaugurada a nova pista da Imigrantes. Mas não esperávamos esta manifestação. Entendemos o lado da população, mas não podemos deixar virar essa baderna, como a que vimos hoje?.Também em entrevista à rádio, o motorista Fernando Zenon, de São Bernardo com Campo, afirmou já ter presenciado muitos assaltos na Serra do Mar. ?Sempre que tem paralisação como essa, ou quebram caminhões, grupos de menores e outras pessoas maiores de idade, começam a circular no meio dos carros exigindo dinheiro e muitas vezes roubando os motoristas?. Ele propõe que sejam colocados postos policiais na serra, principalmente durante os feriados, para garantir a segurança dos motoristas.As amigas Jane Simplício e Lourdes Souza, moradoras do Ipiranga, na zona sul da capital paulista, afirmaram ter recebido, enquanto desciam a serra, um telefonema de um amigo chamado Arnaldo, que havia saído de casa uma hora antes que elas, e acabava de ser vítima de um arrastão na altura do km 47 da Anchieta, três antes do local da manifestação. ?Ele disse que dois moleques aparentando 17 anos, apontaram uma faca para ele e o obrigaram a entregar todo o dinheiro que levava. Ele ficou muito abalado e resolveu voltar para São Paulo?, informou Jane. As duas seguiam para Santos.O empresário Manoel Dias, de 39 anos, morador da capital, desistiu de descer para Camburi, com a namorada e um filho, depois de ter ficado preso no congestionamento da Imigrantes por mais de duas horas. ?Os painéis luminoso da Ecovias, nas proximidades do pedágio, informavam que a Anchieta estava bloqueada por causa de uma manifestação, mas não pensei que a situação estava tão grave assim. Não vai ter jeito, vamos passar o fim de semana em casa?.O arquiteto Jorge Luis Silveira, de 44 anos, que ia para a Praia do Forte, em Santos, participar de um churrasco com amigos, demonstrou revolta com a situação. ?Isso é um completo absurdo. Não temos nada a ver com a guerra dos moradores. Só queremos ir à praia e ter respeitado o sagrado direito de ir e vir, garantido pela Constituição?.

Agencia Estado,

07 de dezembro de 2002 | 02h38

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