Prefeito de Itu quer preservar "fronteiras"

O município de Itu, a 98 quilômetros de São Paulo, tem agora um grupo de pessoas preocupadas em defender seus limites territoriais contra eventuais invasões e agressões vindas de fora. O prefeito Lázaro José Piunti (PSDB) assinou hoje um decreto criando o Comitê Avançado de Defensores das Fronteiras. O órgão será integrado por "legítimas lideranças da comunidade ituana, escolhidas livremente por moradores de setores eventualmente ameaçados nos limítrofes do município", conforme diz o decreto. Os integrantes exercerão voluntariamente as funções e suas atividades serão consideradas de prestação de serviços relevantes à população. Piunti considerou que a criação do órgão se justifica em razão da extensa base territorial do município, com 642 quilômetros quadrados, servidos por 585 quilômetros de estradas vicinais.Segundo ele, a criação do comitê é uma forma de reação "às constantes invasões promovidas por grupos inorganizados e, principalmente, por forças econômicas poderosas, que desrespeitam clamorosamente a autonomia municipal". A assessoria do prefeito informou que o decreto foi uma resposta às medidas adotadas pela concessionária Viaoeste, que administra a Rodovia Castelo Branco no trecho que corta o município. Há um mês, a empresa bloqueou o acesso da rodovia à estrada vicinal dos bairros Varejão e Mato Dentro, alegando falta de segurança. Anteriormente a concessionária bloqueara o acesso de uma fazenda localizada no quilômetro 75. Ontem, tendo em mãos uma liminar concedida pelo juiz Marcos Soares Machado, o próprio prefeito comandou o desbloqueio da vicinal. Máquinas e tratores arrancaram o guard-rail e aterraram a vala que impedia a passagem dos veículos. Essa não foi a primeira medida polêmica do prefeito de Itu.Logo após assumir o cargo, ele enviou projeto à Câmara impedindo o prefeito - ele próprio - de contratar parentes. O projeto ainda não foi votado, pois a Câmara está de recesso. Piunti criou também o Comitê de Padrinhos Municipais, através do qual empresas e pessoas da comunidade podem assumir, sem ônus para o município, a reforma e conservação de bens públicos.

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