Prefeito de Macapá é preso por ocultar provas

Um dos envolvidos na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, Roberto Góes é suspeito de desvios e irregularidades em licitações

Alcinéa Cavalcante, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2010 | 00h00

A Polícia Federal prendeu na manhã de ontem o prefeito de Macapá (AP), Roberto Góes (PDT), que é acusado de ocultar e destruir provas para atrapalhar investigações sobre desvios de recursos da União, irregularidades em licitações e contratações fraudulentas.

Góes foi preso por volta das 7 horas, em sua casa. Estava prevista para ontem sua transferência para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde, depois ser ouvido, deverá ser transferido para o presídio da Papuda - local onde um de seus assessores na prefeitura, Luís Adriano Ferreira, está preso desde o dia 25 de outubro.

O mandado de prisão preventiva cumprido ontem contra Góes foi expedido pelo ministro Otávio Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A prisão do prefeito é desdobramento da Operação Mãos Limpas, deflagrada em 10 de setembro. De lá pra cá, ele foi conduzido de forma coercitiva três vezes para prestar depoimento na Polícia Federal.

No último dia 9, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão nas Secretarias Municipais de Administração e de Finanças. Foram apreendidos computadores e documentos.

Propina. A PF encontrou também em uma das salas R$ 35 mil em dinheiro, que suspeita tratar-se de propina paga por empresários beneficiados pela prefeitura. Vários funcionários das duas secretarias foram conduzidos para depor.

No dia 25 de outubro, a PF prendeu assessores e parentes do prefeito acusados de ocultar, alterar ou destruir provas e ameaçar testemunhas.

Dias antes, a PF já havia apreendido, na casa de uma sobrinha do prefeito, Brenda Góes, várias pastas com documentos da Secretaria Municipal de Educação. Eram processos licitatórios que seriam "maquiados" na casa de Brenda para dar aspectos de legalidade.

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