Spencer Platt / Getty Images / AFP
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Prefeito de NYC diz que considera remover praças de pedestres na Times Square

Bill de Blasio disse que medida pode ser tomada na tentativa de restaurar a ordem nas ruas lotadas dos cruzamentos de Manhattan

New York Times

21 Agosto 2015 | 11h45

Quando a cidade de Nova Iorque instalou praças de pedestres na Times Square seis anos atrás, substituindo ruas sufocadas pelo trânsito por cadeiras de praia e mesas de piquenique, a medida gerou controvérsias cívicas, piadas e, eventualmente, elogios como uma inovação influente no desenho urbano. 

Como a cidade lida com a abundância de mulheres que fazem topless, a administração do prefeito Bill de Blasio sugeriu um remédio inesperado: retirar essas áreas completamente. 

De Blasio afirmou nesta quinta-feira, 20, que consideraria remover as praças da região na tentativa de restaurar a ordem nas ruas lotadas dos cruzamentos de Manhattan.  

A iniciativa, uma das diversas sugestões que serão avaliadas por uma força-tarefa de autoridades da cidade, iria desfazer uma realização do prefeito anterior, Michael R. Bloomberg. Além disso, poderia restaurar o tráfego de veículos para partes da Broadway e da Sétima Avenida, que, frequentemente, estão ocupadas por turistas, pessoas que vão ao teatro e indivíduos que trabalham em escritórios. 

O prefeito, um democrata, tem se esforçado para demonstrar que está tratando das condições na Times Square. Além disso, os moradores da cidade reclamam da proliferação de artistas de rua - mais precisamente, mulheres que fazem topless, usando pintura corporal - que abordam pedestres por gorjetas.  

Nesta quinta, a Prefeitura de Nova Iorque anunciou que a força-tarefa levantaria questões que envolvem medidas para limitar as atividades consideradas ilegais ou prejudiciais para a qualidade de vida no local. 

Mas, o prefeito assustou muitos urbanistas quando disse, em uma coletiva de imprensa realizada em Queens, que utilizaria um "novo olhar" para saber se as praças de pedestres deveriam permanecer. "Isso é um grande esforço e, como qualquer outra opção, conta com prós e contras", disse o prefeito. Então, nós vamos verificar o que podem ser esses pontos positivos e negativos. Você pode argumentar que essas áreas têm tido impactos muito benéficos. E você pode dizer também que elas causam muitos problemas." 

O comissário de polícia William J. Bratton mostrou um posicionamento mais crítico sobre as praças, em entrevista à estação de rádio 1010, nesta quinta-feira. "Eu preferiria que as coisas voltassem ao que era antes", afirmou Bratton. 

Os comentários do prefeito imediatamente atingiram a classe cívica, aumentando a preocupação das autoridades e defensores da proposta. "Eu estou cambaleando agora", disse o diretor executivo de Transportation Alternatives (alternativas de transporte - em português),  Paul Steely White, que atua em um grupo de defesa para pedestres e pelo ciclismo com segurança. 

Segundo White, os comentários foram particularmente irritantes porque as praças tiveram redução de acidentes envolvendo pedestres em uma área repleta de visitantes. Junto a isso, o prefeito de Blasio promoveu a segurança no trânsito como o marco da sua administração.

Ele acredita que não há razão para expor os pedestres ao perigo que havia anteriormente. 

Talvez a resposta mais dura veio da Times Square Alliance, um grupo empresarial que ajudou a liderar a transformação da área, transformando uma monstruosidade encardida em um destino turístico brilhante. 

"Claro, vamos destruir a Broadway", disse o presidente do grupo, Tim Tompkins. "Nós não podemos controlar, gerenciar ou policiar nossos espaços públicos de modo que devemos apenas destruí-los. Essa não é uma solução. É uma rendição." 

Mr. Tompkins é um membro da força-tarefa do prefeito; ele disse que quinta-feira foi a primeira vez que seu grupo tinha sido explicitamente comunicado a respeito da ideia de remoção praça. 

Como candidato a prefeito, De Blasio disse que tinha "sentimentos profundamente mistos" sobre as praças, que foram instaladas em 2009. Em um debate em 2013, ele se referiu a si mesmo como "um motorista" e disse que estava frustrado com o efeito das praças no fluxo de veículos. "Para mim, ainda não foi tomada nenhuma decisão." 

De Blasio também costumava criticar o prefeito Bloomberg, um político independente, e os aliados de seu antecessor expressaram perplexidade e consternação pelo fato de que as praças possam estar ameaçadas.

A presidente da  Partnership for New York City, Kathryn S. Wylde, que representa grandes corporações, disse que muitos empregados na Times Square "ficariam felizes se a praça desaparecesse." 

"Não é a própria praça; é a atividade acontecendo na praça ", disse Kathryn em uma entrevista. "Eu não estou questionando o planejamento urbano, os efeitos da praça na gestão de tráfego. A questão é saber se ela está criando uma atmosfera que provoca transtornos e perigo potencial." 

Joseph J. Lhota, que foi o adversário republicano do prefeito De Blasio na eleição de 2013, aplaudiu a ideia, argumentando que ela melhoraria o tráfego, enquanto livraria a área de "pragas mascaradas e seios pintados." 

Por sua parte, De Blasio disse que ele estava "infeliz" com a situação na Times Square, e que ele espera que a força-tarefa, que engloba diversas agências da cidade, disponibilize uma lista de "ações concretas" e opções de execução até 01 de outubro. "Nós vamos fazer isso corretamente", disse o prefeito. 

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