Prefeito de SP garante colaborar com Lula

?Com a crise, é claro meu dever de contribuir?, discursou Kassab

, O Estadao de S.Paulo

02 de janeiro de 2009 | 00h00

O prefeito Gilberto Kassab disse ontem que, se for convidado a participar da reunião que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou para fevereiro, em Brasília, com todos os prefeitos eleitos das grandes cidades, estará presente. O objetivo do encontro é discutir investimentos e assegurar a continuidade e a conclusão das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nos municípios, diante da crise econômica mundial. Kassab afirmou que o espírito é de colaboração em todos os sentidos com o governo federal. Confira a íntegra do discurso de posse, feito na sede da PrefeituraA equipe econômica federal já informou que serão remanejados muitos recursos do Orçamento Geral da União de 2009, porém, os técnicos disseram que será necessária uma contrapartida dos Estados e também das prefeituras envolvidas. "Quero também dizer que o presidente Lula sabe que não faltará apoio nem solidariedade nesta luta nacional para minimizar os efeitos da crise em nosso País. É muito claro, para mim, meu dever de contribuir para que o Brasil tome conhecimento do modelo de gestão que nosso governo oferece, com base na austeridade e na atenção aos mais carentes, na eficiência administrativa e na solução dos mais graves problemas sociais, no trabalho e na transparência", disse ontem o prefeito Kassab no seu discurso de posse na sede da Prefeitura.O secretário de Negócios Jurídicos, Claudio Lembo, afirmou que a administração de Kassab continuará o "processo de integração plena" com o governo federal, que deve ser incrementada para que o País possa enfrentar mais unido a crise financeira mundial. "Devemos separar a política partidária da política administrativa do País. Na política partidária, podemos ser adversários do PT e do presidente Lula. Porém, temos de respeitar o presidente", comentou. "A crise é inevitável. Portanto, temos de somar esforços e ser solidários uns aos outros." Lembo destacou que embora o Democratas e o Partido dos Trabalhadores sejam agremiações que possuem posições programáticas bastante divergentes, o prefeito de São Paulo terá como prioridade governar a cidade, sem permitir interferências na sua administração de questões políticas vinculadas à sucessão presidencial de 2010. "Em primeiro lugar vamos trabalhar pelo bem do Brasil, do Estado de São Paulo e do nosso Município. Depois é que as questões eleitorais serão repensadas", disse. EDUARDO REINA, RICARDO LEOPOLDO e RODRIGO BRANCATELLITRECHOS DO DISCURSO DE KASSAB?Honrado, orgulhoso e feliz, tomo posse como prefeito da cidade de São Paulo onde nasci, cresci, onde sempre vivi e onde hoje convivo com um povo maravilhoso de 11 milhões de pessoas de fibra.(...) Trago na alma o sonho, tão caro à minha geração, de contribuir para a construção de um mundo melhor, mais harmônico e igualitário, no qual o desenvolvimento seja alcançado sem a degradação do meio ambiente. Ao assumir este novo mandato de prefeito, assumo o compromisso de fazer tudo o que estiver ao meu alcance para tornar a cidade neste ano melhor do que no ano passado; e assim também, no ano que vem e a cada ano, até o último dia de 2012.Prometo lutar para a realização do sonho dos paulistanos que querem uma cidade mais justa, mais limpa, mais saudável, mais civilizada. Vou lutar também para que todos os paulistanos, que dependem do poder público para a escola de seus filhos e a saúde de sua família, possam ficar seguros de receber uma educação e uma medicina pública melhores a cada dia.E me comprometo a continuar trabalhando todos os dias, de sol a sol, para que o transporte público melhore a ponto de ser uma garantia de conforto para todos os usuários, um caminho para a redução da poluição do ar e dos transtornos do trânsito.Vou trabalhar duro para honrar a vontade e os sonhos dos quase 4 milhões de eleitores paulistanos que depositaram em mim sua confiança - e também dos que democraticamente votaram em outros candidatos.(...) Hoje damos início à segunda fase de um governo que começou quando o nosso estimado governador José Serra tomou posse, há exatos quatro anos, neste mesmo local. Neste segundo mandato, seremos o mesmo governo, assentaremos nossa ação sob os mesmos pilares de moralidade e eficiência no trato do dinheiro público. Temos o mesmo plano de governo, revigorado pelos novos desafios, depois de tantos que vencemos. (...) Aproveito para determinar a todos os membros do governo, aqui reunidos, uma primeira diretriz que deve marcar esta administração: Transparência Total. Vamos usar todos os recursos da tecnologia disponíveis, para que os atos da administração sejam de inteiro conhecimento da população. Seja pela internet, ou outros meios de comunicação, tudo o que a Prefeitura fizer deverá ser posto à disposição dos 11 milhões de paulistanos.(...) Quero que todos os nossos atos e intervenções fiquem sempre disponíveis para o Ministério Público e a imprensa, muitas vezes chamados, ambos, de "o quarto poder", por serem os olhos da população.Minha geração nasceu sob o signo de um Brasil campeão mundial de futebol pela primeira vez, (...), na Suécia, em 1958, liderada por um adolescente que logo passou a ser chamado de Rei Pelé. Aprendemos naquela ocasião a expressão "jogar como uma orquestra". Quatro anos depois, a seleção que seria campeã novamente, desta vez no Chile, era a mesma seleção canarinho. O maestro, o "rei", teve que se ausentar dos gramados, mas o time tinha a mesma espinha dorsal, todos conheciam as habilidades dos companheiros mais velhos e dos que tinham entrado para a equipe recentemente. E assim a Seleção brasileira dos meus primeiros anos de vida reinou campeã mundial por oito anos.Aqui (...) vamos manter a mesma essência, a mesma inédita integração com o governo do Estado com que trabalhamos nestes últimos anos. Nossa seleção continuará jogando como uma orquestra. (...) Assumo (...) com o compromisso de dar sequência ao trabalho desses quatro anos, dessa administração iniciada pelo governador José Serra e completada por mim. Nosso lema será o da campanha vitoriosa: "Não tem por que mudar". Não vamos mudar, o rumo é o mesmo, temos a régua e o compasso que herdamos de Serra e foram aprovados pela população paulistana.Quatro anos atrás, assumimos sob o peso da maior crise financeira jamais vista por uma administração paulistana. A capital (...) estava falida (...) tinha deixado sem pagamento, às vezes até sem documentação contábil confiável, dívidas vencidas de curto prazo no valor cerca de R$ 2 bilhões. Neste mesmo hall monumental do Palácio Matarazzo, sede da Prefeitura, formaram-se filas com 12 mil credores que tinham de provar seus créditos, uma vez que os registros dos serviços prestados e produtos entregues tinham sido apagados. A Prefeitura tinha R$ 5 milhões no banco e R$ 2 bilhões em dívidas de curto prazo vencidas.Mesmo assim, rapidamente superamos a crise e a cidade voltou à normalidade: em pouco mais de 12 meses, o déficit virou superávit. Sem passe de mágica. Sem aumento de impostos. Sem criação de taxas.(...) Hoje, pela primeira vez em muitas décadas, uma administração inicia seu mandato com todos os compromissos pagos em dia. E com dinheiro em caixa. E chegamos a essa situação depois de muitas realizações.Com a Lei Cidade limpa, resgatamos a autoestima da população paulistana. (...)(...) Um governo que investe em educação, como nunca antes se investiu, está preparando o futuro da cidade. Um governo que cuida da saúde pública, com nunca antes se cuidou, está zelando pelo bem-estar da população. Um governo que zela pelos transportes coletivos, com mais de R$ 1 bilhão para ajudar na ampliação do Metrô, corrige erros do passado e projeta o futuro da cidade. (...) Pensem como teria sido fácil criar corredores de ônibus sem interferência, há 40 anos. Mas não, os corredores não foram feitos nem mesmo projetados. Agora cabe a esta gestão implantá-los.(...) Ao iniciar esta nova gestão, apesar desses sucessos e da inédita condição financeira positiva, tenho consciência de que o espectro de uma preocupante crise econômica ronda o mundo.(...) Como disse o líder russo Mikhail Gorbachev, "apesar de toda a diversidade de sistemas sociais e políticos, este mundo é um só. Somos todos passageiros de uma nave, a Terra". Quando um pedaço dessa nave balança acolá, os efeitos são sentidos aqui e ali. Temos de estar preparados. É preciso navegar com cautela nessas águas turvas, pois mesmo os melhores economistas divergem quanto à extensão ou à duração da crise.Temos de estar preparados para enfrentar as dificuldades sem comprometer nossa missão de investir na melhoria da qualidade de vida dos paulistanos.(...) Nossos adversários nos censuraram por manter dinheiro em caixa. Fica claro que eles falavam como a cigarra, da célebre fábula de La Fontaine, debochando da formiga por se preocupar com os rigores do inverno. Fomos prudentes. Somos prudentes. (...) Vamos trabalhar como formigas, garantindo reservas para um possível inverno. Mas sem medo da crise. Vamos buscar novas fontes de receitas.(...) Como diz o nosso maestro José Serra, "política é a arte de ampliar as fronteiras do possível". Cabe a nós descobrir as oportunidades existentes nessa crise. (...) Quero também dizer que o presidente Lula sabe que não faltará apoio, nem solidariedade nessa luta nacional para minimizar os efeitos da crise em nosso País.(...) Na cidade de São Paulo e no Estado de São Paulo, consolidamos um estilo moderno de governar sem ódios e sem preconceitos, com prioridade para as necessidades das pessoas mais simples e humildes.Somos uma administração que não fixa o olhar no retrovisor. Procuramos conhecer o passado, para aprender lições, evitar repetição dos erros. Mas administramos com o olhar atento para os compromissos que assumimos, para os grandes desafios que vamos vencer (...).(...) Cumprirei a missão política de ajudar a provar, para todo o Brasil, que a nossa proposta é a mais indicada, é a melhor.Na cidade de São Paulo, a responsabilidade é minha. Vamos vencer, com a bênção de Deus e o apoio, trabalho e participação de todos os paulistanos."

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