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Odair Leal/Estadão
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Prefeito diz que Assis Brasil já gastou mais de R$ 1 milhão com imigrantes e pede socorro

Apesar de doações de parceiros, faltam itens de primeira necessidade como absorventes, fraldas e até água

João Renato Jácome, especial para o Estadão

06 de novembro de 2020 | 11h00

As autoridades de Assis Brasil contam com o apoio de parceiros estratégicos para manter o abrigo improvisado para imigrantes estrangeiros em funcionamento. Além das doações enviadas pela Secretaria de Estado de Assistência Social, dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres (Seasdham), incluindo R$ 120 mil, colchões, fraldas e cestas básicas, há ainda as ONGs que apoiam o acolhimento dos estrangeiros.

A responsável pela Cáritas na cidade, Marilene Lourdes de Araújo, diz que a Igreja Católica tem recebido apoio do comércio da cidade e de várias instituições locais e até de organismos internacionais que estão preocupados com o cenário migratório sediado em Assis Brasil. “Sozinhos, nós não teríamos como apoiar essas mais de 500 pessoas que recebemos. Foi colocado colchão até na igreja, porque estava tudo lotado”, afirma.

A situação insalubre com a qual convivem os migrantes, segundo Marilene, está sendo acompanhada de perto pela equipe social do movimento. “Nós mandamos água para eles beberem hoje, porque não estávamos sabendo dessa falta. A água deu um problema na bomba da cidade, e todos ficaram sem ela”, explica.

Marilene Araújo, conhecida em toda a cidade pela peregrinação em busca de apoio aos imigrantes, reafirma que materiais de higiene pessoal, de limpeza e fraldas descartáveis, além de máscaras faciais e álcool líquido e em gel, são essenciais para a continuação do trabalho do colegiado da solidariedade.

“Esses materiais acabam rapidamente. A gente entrega hoje, e amanhã já estão precisando de mais. Todo dia está chegando gente. No momento, o nosso estoque de higiene pessoal acabou. A gente só tem pasta de dente, escova e até fralda não tem mais. O absorvente a gente sempre entrega, mas acabou. Algumas pessoas tiveram roupas roubadas e chegaram aqui sem nada, e nós precisamos conseguir para entregar”, relata a assistente social.

Ainda segundo Marilene, com a fronteira fechada e sem condições de emitir a documentação de entrada no Brasil, 76 estrangeiros deixaram Assis Brasil na última semana, se arriscando pelas estradas. “Aqui teve gente que ficou seis meses no abrigo. É uma situação de calamidade, e a gente orienta, mas não tem mais como controlar essa situação. A gente precisa de ajuda mesmo”, frisa.

Autoridades pedem socorro

Segundo apurou o Estadão, o número de imigrantes que já passaram legalmente pela fronteira desde o início do êxodo venezuelano é de quase 45 mil pessoas. O quantitativo, atualizado diariamente, faz referência aos estrangeiros de 36 países diferentes que pediram refúgio ao governo brasileiro e tentam uma nova vida no país.

A secretária de Assistência Social, dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres do Acre, Ana Paula Lima, avalia que apesar de os venezuelanos entrarem no país pelo Acre, Roraima ainda é uma forte referência para a maioria dos migrantes. Um grupo de trabalho foi criado pelo Estado para avaliar a situação dos migrantes e viabilizar o auxílio necessário às famílias.

“Quanto à rota, os migrantes vindos diretamente da Venezuela continuam adentrando ao Brasil por Roraima. A maioria que chega diretamente pelo Acre, já vem de outros locais, como o Peru. O Estado assegura acolhimento temporário em condições dignas e de segurança aos imigrantes”, esclarece a gestora estadual, que lembra o envio de recursos materiais e financeiros ao município.

O prefeito de Assis Brasil, Antônio Zum (PSDB), diz que não sabe mais a quem recorrer e que, sozinho, o município já gastou mais de R$ 1 milhão para dar assistência aos imigrantes. A prefeitura tem custeado, com recursos próprios e doações, três refeições diárias, sendo café, almoço e janta. A equipe social também está direcionando os doentes às unidades de saúde e garantindo os medicamentos.

“Antes eram pessoas que estavam saindo do Brasil em busca de outros países. Agora um novo fluxo traz essas pessoas para Assis Brasil. Estão enchendo as escolas, e não conseguimos dar conta disso. Estou pedindo apoio, estou pedindo ajuda. A gente está sofrendo bastante com isso. É uma situação muito difícil, muito delicada, e não sabemos mais a quem recorrer a partir daqui”, desabafa o prefeito.

A secretária nacional da Família, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Angela Vidal Gandra, em visita ao Acre no final de outubro, foi a Assis Brasil e participou de uma reunião com equipes do governo do Acre e da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB/AC) para tratar sobre a situação dos venezuelanos.

Para a secretária nacional, cada fronteira tem sua especificidade e precisa ter um tratamento adequado à sua realidade. “Aqui no Acre, nos chamou atenção a saúde básica. É necessário viabilizar vacinas e outras questões que amparem o bem-estar dos imigrantes. Estamos aqui exatamente para saber no que podemos ajudar”, pontuou Gandra durante o encontro.

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