Prefeito diz que profetas de Aleijadinho estão ameaçados

O estado de conservação dos 12 profetas esculpidos em pedra-sabão no adro do Santuário Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, no começo do século 19, por Aleijadinho, voltou a causar polêmica. Na semana passada, o prefeito Gualter Monteiro (PL) mandou publicar anúncios em jornais, sob a forma de carta aberta ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, e ao secretário estadual de Cultura, Luiz Roberto Nascimento, alertando para o "risco de completa deterioração".Ele defende a construção de um museu, para onde as peças seriam transferidas, e a colocação de réplicas ao ar livre. De acordo com o prefeito, um levantamento mostra que a exposição às chuvas provoca reações químicas prejudiciais às obras. Segundo ele, o rosto do profeta Ezequiel é o maior exemplo disso.O restaurador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e integrante do projeto Idéias, que realiza trabalho de conservação das obras, Antônio Fernando Santos, diz que não é verdade. "As chuvas não alteram em nada a estrutura das pedras. As chuvas ajudam a limpar os microorganismos." Ele acusa Monteiro de fazer "autopromoção" e de pressionar, por interesse, pela construção do museu.O prefeito se defende dizendo que a idéia do museu é do próprio Ministério da Cultura. "A idéia do museu é deles e nós só acolhemos." Ele promete ir a Brasília nos próximos dias e levar a Gil fotos que atestariam a degradação.Um seminário com especialistas, entre março e abril, deverá definir o destino das obras.

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