Prefeito do Rio faz reunião para resolver impasse sobre greve de professores

Pais e diretores de escolas municipais participaram do encontro; categoria está paralisada desde agosto

Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2013 | 15h16

RIO - O prefeito Eduardo Paes se reuniu na manhã do sábado, 5, com representantes de pais e diretores de escolas municipais na tentativa de encontrar saídas para o impasse na greve de professores que se estende por dois meses. Diretores dos conselhos de pais e diretores, eleitos pelas categorias, falaram por mais de três horas sobre a paralisação e a necessidade de elaborar um plano de reposição de aulas.

Segundo Paes, um novo encontro deve acontecer na próxima terça-feira, 8, com integrantes do conselho de professores e funcionários. A medida, idealizada pelo prefeito, visa estabelecer um canal alternativo ao Sindicato de Educadores e Profissionais de Ensino (Sepe), que tem comandado as manifestações grevistas.

"É um processo de diálogo. Convidei os conselhos para ouvir e tentar entender de que forma podemos avançar", resumiu o prefeito. Perguntando se os encontros vão contemplar também o sindicato, Paes não respondeu e encerrou a coletiva. Antes, ele havia afirmado que se reuniu dez vezes com o sindicato e que não poderia "sentar numa mesa de negociação que não tem limites, agenda ou pauta."

"Queremos deixar claro que já avançamos, com o plano de cargos que aumenta remuneração deste ano, que reconhece as carreiras, os direitos de aposentados. Mas não se avança tudo de um dia para noite, com faca no pescoço ou com grave. Diálogo pressupõe sentar e discutir, não partir para o radicalismo", disse.

Na avaliação do prefeito, cerca de 85% dos professores estão dando aulas normalmente. Paes afirmou também que diretores de escola são "heróis", por abrirem as escolas e darem aulas em substituição aos grevistas. "Os pais estão angustiados. É claro que o interesse da classe é legítimo, mas ela deixa de ser quando prejudica as crianças que estão sem aula", concluiu.

Manifestações. A greve teve início em agosto. Em setembro, após dez dias suspenso, o movimento retornou questionando a proposta para o Plano de Cargos e Salários da prefeitura. Na última terça-feira, 1, a Câmara de Vereadores aprovou o Plano sob forte pressão dos professores, que estavam acampados na frente do prédio. Os manifestantes foram duramente reprimidos pela polícia durante a votação.

Eduardo Paes afirmou que "grupos radicais" se infiltraram nas manifestações. "Fizemos dez reuniões e não houve nenhum gesto de violência. Professor não taca pedra, quebra cadeado ou anda mascarado." Após as manifestações, a prefeitura decidiu cortar o ponto dos grevistas. Segundo o prefeito, a reposição será decidida por cada diretoria das escolas.

Após o encontro, a representante dos pais, Sebelina Rocha da Silva, afirmou que a prefeitura está se esforçando para dialogar, embora não defenda a postura da prefeitura. O conselho solicitou o fim da greve e a retomada das aulas com um plano de reposição.

"Reivindicar direitos é para todos, mas nesse momento nossos filhos estão perdendo seus direitos. As crianças estão na rua, soltas. Crianças que necessitam daquele café da manhã, almoço", afirmou a conselheira, moradora da Favela da Maré e mãe de quatro crianças na rede municipal de educação.

Já o representante dos diretores, Niverson Antunes, afirmou que o Plano de Cargos e Salários aprovado "é bom, mas não é perfeito". Responsável pela escola Ginásio Experimental de Artes, na Praça Mauá, o diretor classificou a reunião como "extraordinária, uma expressão democrática".

"A greve tem legitimidade, mas já conquistamos algumas coisas. Em relação ao que tínhamos, melhorou. É um avanço chegarmos onde chegamos. É hora de sentar e conversar, discutir questões pedagógicas. O prefeito sinalizou que está aberto ao diálogo", completou Antunes.

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