Prefeito é suspeito de morte do professor queimado vivo

O delegado Cícero Lima, que preside o inquérito sobre a morte do professor Paulo Henrique Bandeira, queimado vivo, disse hoje que é prematura qualquer intenção de querer dar o caso por encerrado, mas não descarta a possibilidade de envolvimento do prefeito de Satuba (AL), Adalberon de Moraes (PFL), no crime. "Estamos iniciando às investigações, ouvimos sete testemunhas e vamos ouvir o prefeito, mas ainda é cedo para apontar culpados", afirmou. Coincidentemente, o professor foi queimado depois de denunciar desvio de verbas do Fundo de Desenvolvimento e Valorização do Magistério (Fundef). O corpo foi encontrado carbonizado dentro do seu carro, na manhã de quarta-feira, na zona rural do município de Satuba, a 48 quilômtros de Maceió. A polícia recebeu da família da vítima uma carta escrita pelo professor e uma fita gravada por ele, denunciando o desvio de verbas públicas e responsabilizando o prefeito por qualquer atentado à sua integridade física. "Resolvi escrever esta missiva no intuito de me resguardar, pois a partir de hoje posso temer pela minha integridade física, peço a Deus que me ilumine...", escreveu de Paulo Henrique, em 14 de abril, após encontro tenso com o prefeito, que o ameaçou de morte. O prefeito negou qualquer envolvimento com o crime, disse que não fez ameaças de morte ao professor, mas confirmou o encontro que teve com a vítima há dois meses, na Prefeitura. Segundo a Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, há um pedido de prisão preventiva contra o prefeito tramitando no Tribunal de Justiça de Alagoas desde janeiro deste ano, por outro crime de homicídio.

Agencia Estado,

06 Junho 2003 | 17h55

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