Prefeito não foi avisado sobre vazamento na usina Angra I

O prefeito de Angra dos Reis, no litoral sul do Rio de Janeiro, Fernando Jordão, e a Câmara dos Vereadores passarão a ser avisados sobre todos os acidentes ocorridos na usina Angra I. A decisão foi tomada hoje durante uma reunião entre o prefeito e representantes da Eletronuclear (administradora da usina) e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), depois que a divulgação de um vazamento de 22 mil litros de água radioativa ocorrido em maio, surpreendeu as autoridades locais.Ainda no domingo, o prefeito convocou a reunião para saber mais detalhes sobre o vazamento, noticiado por jornais e revistas no fim de semana. A água radioativa foi despejada na parte interna do vaso de contenção da usina, um prédio que cerca o reator.Não houve vítimas nem contaminação de áreas externas da usina, mas o incidente foi classificado de "não-usual" e de grau 1 de perigo (a escala vai de 0 a 7). "Apesar de baixo risco, o acidente foi considerado grave porque houve falhas humanas, e isso não pode ocorrer", disse Erculano Soares, chefe do distrito da Cnen na cidade.O prefeito de Angra diz que foi surpreendido com a notícia e que ficou assustado porque achou que havia riscos para a população. A Eletronuclear avisou a Defesa Civil municipal, como manda a rotina em um acidente desse porte, mas o prefeito hoje pediu que as regras sejam alteradas e que, a partir de agora, ele seja avisado pessoalmente de novos incidentes. "Mesmo em casos não muito relevantes, quero ser notificado. Assim, poderei acalmar a população e evitar pânico", afirmou.Os vereadores também pediram para fazer parte da lista de órgãos notificados. "Concordamos em avisar os vereadores, mas nossa prioridade é informar órgãos envolvidos diretamente em uma possível operação de emergência", explicou Soares. Um acidente classificado de "não-usual" não exige a organização de um plano de emergência, mas as autoridades devem ser avisadas porque ele pode evoluir para uma situação mais preocupante e perigosa.Soares afirma que, no acidente de maio passado, as chances de a água radioativa ter vazado para fora da usina eram muito pequenas. Técnicos independentes avaliam que, se um vazamento não é contido, ele pode ter conseqüências terríveis, como a contaminação do mar e a exposição de moradores a um vapor radioativo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.