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Prefeitura abre mão de receita para evitar greve

A Prefeitura de São Paulo decidiu, na noite desta terça-feira, abrir mão de R$ 1,9 milhão da receita da taxa administrativa cobrada aos empresários de ônibus e usada em investimentos e melhorias do sistema de transporte, para evitar uma greve geral dos motoristas e cobradores de São Paulo.A Prefeitura nega que a forma de ajuda seja um novo tipo de subsídio para os empresários. O sindicato de motoristas e cobradores suspendeu temporariamente a greve que realizaria nesta quarta-feira, mas, em nova assembléia, prevista também para esta quarta, o tema será retomado e a decisão da greve novamente colocada em pauta.Durante a reunião entre o presidente do Sindicato Patronal (Transurb), Sérgio Pavani, a Prefeita Marta Suplicy (PT) e o secretário dos Transportes, Carlos Zarattini, foi oferecido para a categoria um convênio médico para os motoristas e cobradores de R$ 50 e um aumento real de 2% nos salários. Como os empresários alegaram que não teriam dinheiro para bancar a proposta, a Prefeitura abriu mão da taxa que cobrava deles para arcar com parte do plano médico.Ao todo, o convênio médico custará R$ 2,5 milhões aos empresários, sendo R$ 1,9 milhão custeados pela prefeitura. "Isso coloca uma concessão da parte deles (empresários, que terão que pagar os outros R$ 600 mil) com relação aos trabalhadores e um recurso de que achamos que é possível abrir mão", disse Zarattini.De acordo com o secretário, da tarifa de R$ 1,40 recolhida pelos empresários, R$ 0,20 são pagos como taxa de administração à São Paulo Transportes (SPtrans), responsável pelo gerenciamento do transporte na cidade. Esse valor totaliza R$ 1,9 milhão, levando-se em conta a quantidade de passageiro por mês. "Essa taxa começou a ser cobrada a partir de 22 de abril e estava prevista nos contratos emergenciais feitos com as empresas de ônibus", afirmou.Zarattini afirmou que o dinheiro era utilizado em investimentos, como reformas, conservação de terminais e abrigos de ônibus. De acordo com ele, esse montante não vai fazer falta. "Esse dinheiro vai continuar existindo por conta dos recursos que a SPtrans vem economizando, em diminuição de valores de contratos que continuam a ser renegociados e licitações que substituem antigas licitações com valores menores", disse o secretário. ?Dessa forma, a gente consegue manter o equilíbrio (econômico da SPtrans). É um recurso de que podemos abrir mão sem prejuízo."A folha de pagamento do Transurb custa mensalmente cerca de R$ 70 milhões, e, com as novas medidas anunciadas nesta terça-feira, o impacto para os empresários será de R$ 3,4 milhões, fora a ajuda da Prefeitura de R$ 1,9 milhão. De acordo com o presidente do Transurb, Sérgio Pavani, se a greve vier a acontecer, o plano médico para os motoristas e cobradores será cancelado. "Se houver greve, não haverá plano de saúde, e só daremos o que a Justiça determinar", disse.Para ele, essa taxa de administração cobrada pela Prefeitura é injusta, e essa transferência da taxa para pagar parte do plano médico não é uma nova forma de subsidiar o transporte público. "São Paulo sempre se administrou. A Prefeitura tem que responder por ela. Eu estou perdendo passageiros", defendeu. Segundo ele, o sistema transportava na década de 90 cerca de 115 milhões passageiros por mês, e hoje esse número caiu para cerca de 88 milhões.As negociações para solucionar o impasse começaram na manhã desta terça-feira, quando a prefeita Marta Suplicy e Zarattini se reuniram na Prefeitura com o presidente do Sindicato dos Cobradores e Motoristas de Ônibus, Edivaldo Santiago, para tentar resolver a situação. Pela manhã, a Prefeitura dizia que não desembolsaria nenhum centavo e agiria apenas como mediadora entre o sindicato dos motoristas e o Transurb."A Prefeitura não emprega, são os patrões. Nosso papel é fazer com que eles cedam e evitar a greve", afirmou o secretário. "Os empresários alegam que estavam no prejuízo até quando transportavam 140 milhões de passageiros. Aliás, todos os grandes empresários do Brasil estão no prejuízo", ironizou. No último dia 15, os cerca de 50 mil trabalhadores do sistema de transporte fizeram uma paralisação das 3h às 6 horas.

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