Prefeitura aponta erros em trecho do Rodoanel

A Prefeitura de São Paulo apontou hoje a existência de erros no trecho oeste do Rodoanel, maior obra viária da América Latina, que está em construção desde outubro de 1999 pelo governo paulista. Entre os erros detectados por técnicos da prefeitura paulistana - e apresentados esta manhã durante reunião do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cade) - está a movimentação excessiva do relevo no trecho oeste, explicou Ricardo Pereira da Silva, engenheiro da Prefeitura e coordenador do grupo de trabalho intersecretarial formado pela Prefeitura para acompanhar de perto as obras do Rodoanel.Durante o encontro, a Prefeitura sugeriu aos técnicos da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), empresa vinculada à Secretaria do Estado dos Transportes e responsável pelas obras, algumas modificações nas conexões do Rodoanel como, por exemplo, com a Estrada de Itapecerica e com a Avenida Raimundo Pereira Magalhães, na zona Norte da cidade."A conexão com a Avenida Raimundo Pereira Magalhães não parece interessante, porque não comportaria o trânsito que será adicionado por conta do Rodoanel. Além disso, está muito próxima do início das Rodovias Anhangüera e Bandeirantes", observou Pereira da Silva. No caso da zona Norte, a alternativa, segundo a Prefeitura, seria conectar o trecho do Rodoanel à Avenida Inajar de Souza.Pereira da Silva disse ainda que a Dersa e o Estado ?poderiam ter movimentado menos o relevo e, se isso voltar a acontecer em outros trechos, podem ser atingidas regiões de mananciais, de proteção ambiental". Ele acrescentou que, no trecho oeste, o governo paulista "deixou de cumprir alguns princípios básicos de engenharia".A Prefeitura sugeriu ainda que o governo paulista se preocupe com a proteção acústica e, em alguns trechos, priorize a construção de túneis e viadutos. O coordenador do grupo de trabalho da Prefeitura que acompanha as obras reconheceu que alguns erros poderiam não ter acontecido se a administração anterior (Celso Pitta - PTN) tivesse feito um acompanhamento de perto. "Houve falta de participação da Prefeitura nos anos anteriores", disse Pereira da Silva.O assessor técnico de Desenvolvimento da Dersa, Paulo Roberto Marufuji, disse que não avaliou os erros apontados pela Prefeitura como críticas. "Não chamaria de falha, mas de ajuda", disse. Ele destacou a importância do acompanhamento das obras pela administração paulistana, assim como de outras cidades envolvidas na obra. "Para operar, o Rodoanel precisará ser licenciado por todas as prefeituras envolvidas."Pereira da Silva afirmou que não acredita que a Prefeitura poderá financiar parte da construção do Rodoanel. "Se dispusesse dos recursos, a Prefeitura teria interesse em participar. Mas ela atravessa enorme dificuldade e não acredito que ela poderá colaborar rapidamente". Pelo projeto original do Rodoanel, a Prefeitura de São Paulo bancaria parte do custo da obra, que terá aproximadamente 170 quilômetros de extensão e quatro trechos. A previsão do governo do Estado é de que o Rodoanel esteja pronto em abril de 2006. A obra está orçada em US$ 2,7 bilhões, o que representa atualmente cerca R$ 6 bilhões.

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