Prefeitura aprova plano contra caos da greve

A Prefeitura de São Paulo aprovou, na tarde desta terça-feira, um plano de emergência para evitar o caos no trânsito e no transporte público caso seja aprovada a greve geral dos motoristas e cobradores de ônibus, nesta quarta-feira, na cidade.Até a noite desta terça-feira, os empresários ainda estavam reunidos com a prefeita Marta Suplicy (PT), no Palácio das Indústrias, sede da Prefeitura, tentando encontrar soluções e, assim, evitar a paralisação do sistema de transporte.Pelo plano, que está dividido em dez pontos e foi elaborado pela Comissão para Situações de Emergências da Secretaria dos Transportes, todos os táxis, ônibus bairro a bairro, intermunicipais, lotações, peruas escolares, ônibus fretados e municipais especiais (com ar-condicionado) estão liberados para fazer o transporte da população, cobrando a tarifa de R$ 1,40 e terão o trajeto liberado até o centro da cidade.De acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, nesta quarta-feira não haverá aulas na rede pública, e as peruas escolares estarão livres para fazer o transporte da população. Além disso, a secretaria convocou as 428 empresas cadastradas pela São Paulo Transporte (SPTrans) para prestar serviços de transporte de passageiro em situação de emergência.De acordo com o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, todos os veículos estão autorizados a receber passes, que posteriormente serão trocados pela SPTrans. A secretaria também pretende aumentar o número de funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) nas ruas para a coordenação do trânsito.O objetivo da Prefeitura é tentar absorver ao máximo os 3,6 milhões de passageiros que poderão não ser transportados nesta quarta, em caso de greve, que será feita pelas 37 empresas e oito consórcios que administram hoje o sistema de transporte coletivo de São Paulo.Além dessas autorizações, a Prefeitura vai cancelar o rodízio municipal de veículos em caso de greve, liberar as faixas exclusivas e preferenciais aos ônibus (exceção dos corredores segregados), itinerários para lotações e ônibus bairro a bairro, liberar o cartão de estacionamento de zona azul e incentivar o transporte solidário para evitar o aumento de automóveis no trânsito.Durante a manhã desta terça-feira, a prefeita Marta Suplicy (PT) e Zarattini se reuniram na Prefeitura com o presidente do Sindicato dos Cobradores e Motoristas de Ônibus por 40 minutos. A prefeita apoiou as reivindicações da categoria. "Nós temos um compromisso muito grande que o que eles querem é justo", disse a prefeita. "Você querer para uma categoria um plano de saúde e um aumento de salário é correto."Os motoristas e cobradores reivindicam reposição salarial de 9,26%, 5% de aumento real e convênio médico gratuito, participação nos lucros e resultados e aumento do valor do tíquete-refeição de R$ 6,80 para R$ 8,00.O presidente do Sindicato Patronal (Transurb), Sérgio Pavani, afirmou que as empresas arcam mensalmente com um déficit de R$ 15 milhões e que aumento de salário da categoria é inviável antes de um "equilíbrio econômico e financeiro do sistema", o que também pode sugerir que eles queiram a volta do subsídio - o que a Prefeitura não aceita."Nós (do Transurb) viemos aqui para conversar com a prefeita e tentar resolver esse problema", disse Pavani. Para Zarattini, a Prefeitura apenas vai tentar viabilizar as negociações entre as duas categorias. "A Prefeitura não emprega, são os patrões. Nosso papel é fazer com que eles cedam e evitar a greve", afirmou o secretário. No último dia 15, os cerca de 50 mil trabalhadores do sistema de transporte realizaram uma paralisação das 3h às 6 horas.

Agencia Estado,

21 de maio de 2002 | 20h08

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