Prefeitura de Cubatão contesta ação estadual

Para gestão petista, há casas que não apresentam risco

Rejane Lima, CUBATÃO, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Na Água Fria, um dos núcleos de invasões na borda da Serra do Mar, há casas com piscina, três suítes, móveis planejados e garagem para mais de um carro. Em todo o bairro, a água das casas vem direto das cachoeiras. E o esgoto poluído sai dos imóveis direto para rios de mangue que deságuam no mar.A remoção do bairro, contudo, é questionada pela população e pela Prefeitura de Cubatão, administrada desde janeiro pelo PT. Já ambientalistas defendem a remoção imediata da ocupação e a formação de um parque."O Estado indica um grande número de casas em área de risco, um índice superior a 60%. Existem muitas casas que não apresentam risco. O projeto precisa explicar qual é o risco dessas moradias", contesta o chefe de Gabinete da prefeitura, Gerson Rozo.Segundo Rozo, a administração apoia qualquer investimento na área habitacional, mas considera que o fato de moradores estarem há décadas nos bairros deve ser levado em consideração. "O governo do Estado tem de promover mais audiências para ouvir as reivindicações da população."Aposentado e morador do Núcleo Pilões há dez anos, Luiz Veras da Silva, de 63 anos, diz estar revoltado com a possibilidade de remoção. Ele conta ter investido todo o dinheiro recebido quando saiu da Petrobrás na casa construída - de três suítes, onde também moram a sogra e o cunhado. "Gastei mais de R$ 120 mil aqui. A gente não construiu tudo isso escondido. A minha sogra mora aqui há 30 anos e comprou esse terreno", afirma o morador.O secretário de Estado da Habitação e presidente da CDHU, Lair Krähenbühl, disse estar agindo em sintonia com a prefeitura de Cubatão e afirma que nem todos os moradores serão removidos. "Vai sair quem realmente está em área de risco. Mais de 2 mil famílias vão ficar em áreas que serão urbanizadas", disse o secretário. Krähenbühl adiantou que um posto de atendimento do Programa Serra do Mar foi disponibilizado pelo governo em Cubatão.

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