Prefeitura de São Paulo muda linhas de ônibus

Em meio à negociação com empresários de ônibus, a Prefeitura vai anunciar um novo plano de reestruturação de linhas. A medida tem duplo objetivo: melhorar o atendimento à população e, ao mesmo tempo, reduzir custos do sistema. A Secretaria Municipal de Transportes estima que as mudanças devem levar de 9 a 12 meses para serem postas e práticas.Não é tarefa rápida nem fácil, reconhece o secretário Frederico Bussinger. Além de discutir as alterações com empresários e cooperativas de microônibus - e isso já vem sendo feito há algum tempo, segundo Bussinger -, a Prefeitura tem de convencer a população a mudar hábitos em nome de um sistema mais eficiente."É preciso fazer de forma gradual. Se isso tivesse sido feito na época de inauguração dos corredores e dos terminais, seria mais fácil", observou o secretário. "Depois que você estabiliza e cria um novo hábito, o processo fica muito mais difícil."No caso paulistano, é mais do que isso. Entra no contexto da queda-de-braço entre Prefeitura e empresários de ônibus. E essas pendências ainda seguem sem previsão de quando serão resolvidas.Bussinger disse que, para a reorganização das linhas ser plena e eficiente, é preciso renovar e readequar as frotas à nova realidade. Acredita que pelo menos 1.400 veículos estão velhos e inadequados. Mas isso os empresários ainda relutam em fazer: estão operando no prejuízo e alegam não ter condições de arcar com a nova despesa.Mais dinheiroA Prefeitura espera a reivindicação dos empresários no que se refere à correção da remuneração por passageiro transportado. Outras demandas já estão no gabinete de Bussinger. Por enquanto, o Município não oferece mais do que 9,5% de reajuste, enquanto os concessionários alegam ter direito a mais de 11%. Para contra-argumentar, Bussinger explicou que, em 2005, o pagamento aos empresários de ônibus já foi bem maior do que o de 2004.Nas contas do secretário, o primeiro ano da gestão José Serra (PSDB) remunerou os concessionários com valores 11,6% superiores.Em 2004, os concessionários deveriam receber R$ 1,743 bilhão, mas o que de fato chegou às empresas foi R$ 1,694 bilhão. Isso porque a gestão Marta Suplicy (PT) teria deixado de repassar R$ 17 milhões - ainda reivindicados pelas empresas - mais R$ 32 milhões em atrasados."Esses atrasados nós pagamos regularmente até abril", disse Bussinger. Somando esses R$ 32 milhões a R$ 1,858 bilhão a que os empresários tinham direito pelo serviço prestado em 2005, o secretário chega a R$ 1,890 bilhão que entraram nos cofres das concessionárias de ônibus. "Podem-se discutir os valores, mas não podem negar que estamos rigorosamente em dia."

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