Prefeitura de SP ameniza anistia a corredor comercial

A Prefeitura de São Paulo recuou e vai alterar o projeto de anistia provisória para corredores comerciais localizados em regiões estritamente residenciais da capital paulista. A nova proposta vai restringir o benefício apenas aos estabelecimentos localizados na frente dos corredores, como a Avenida Pacaembu e a Alameda Gabriel Monteiro da Silva.A votação do projeto foi adiada para a próxima semana. A intenção inicial do Executivo municipal era estender o benefício às áreas lindeiras aos corredores. Dessa maneira, segundo o líder do governo, João Antonio (PT), todo o quarteirão poderia ser anistiado. Com a mudança, os governistas esperam diminuir a resistência ao projeto. Nesta quarta-feira, o governo tinha pouco mais de 24 votos favoráveis, contra os 33 necessários para a aprovação. O principal foco de resistência é dentro do próprio PT, que está rachado desde a primeira votação do projeto, em janeiro. Segundo apurou o Estado, pelo menos oito petistas estão dispostos a votar contra a medida, que foi elaborada pelo ex-líder do governo na Câmara, o deputado federal José Mentor (PT-SP). "Sou totalmente contra", disse o vereador Carlos Giannazi (PT), que apresentou um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os corredores. "É preciso apurar como esses estabelecimentos estão funcionando há tanto tempo, se houve pagamento de propina ou omissão do poder público", disse Giannazi. "É uma proposta que não tem o menor fundamento urbanístico", disse Odilon Guedes (PT). Segundo ele, a Prefeitura deveria tentar um acordo com o Ministério Público Estadual (MPE) para evitar o fechamento dos estabelecimentos irregulares, até a aprovação da nova Lei de Zoneamento. "Ninguém quer acabar com o emprego de ninguém", disse Guedes. Alvos - A discussão durou a tarde toda. Durante a sessão, os governistas tentaram convencer os petistas e integrantes de outras bancadas a votarem a favor do projeto. Um dos alvos era a bancada evangélica, que possui quatro integrantes, e representantes de partidos pequenos. O líder do governo negou que o recuo tenha sido político. "Foi uma decisão de caráter técnico", disse Antonio. Ele procurou amenizar o racha da bancada. "O PT é um partido de idéias e opiniões. Todos os integrantes têm o direito de expressar sua opinião", completou. Fora do plenário, o assunto dividiu as opiniões. De um lado das galerias da Câmara, empregados do comércio pediam a anistia. Do outro, representantes de associações de moradores dos bairros pregavam a proteção às zonas estritamente residenciais (Z-1).

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