Prefeitura de SP apresenta novo sistema de transporte

O novo modelo do sistema de transporte coletivo urbano de passageiros do município de São Paulo será dividido em três grandes licitações - equipamentos de transferência, dez lotes de subsistema local e oito lotes do subsistema estrutural - e tem como principal objetivo diminuir o tempo de espera dos passageiros nos pontos e aumentar a velocidade comercial dos ônibus. O novo sistema deve estar concluído e funcionando em julho de 2003. Hoje, o secretário municipal dos Transportes, Carlos Zarattini, apresentou o plano para imprensa e garantiu que o modelo não vai reduzir a frota de ônibus, nem o número de empregos na cidade. "Isso é uma garantia", afirmou Zarattini.Na prática, a Prefeitura de São Paulo divide a cidade em dois grande blocos, o local, que será operado, em sua maioria, por micro e miniônibus, que alimentará o estrutural, que será operado pelos ônibus convencionais. Hoje, por causa dos poucos ônibus nos bairros, a espera é muito grande nos pontos. Quando o passageiro embarca e chega nos grandes corredores, a velocidade do ônibus diminui por causa dos engarrafamentos formado pelos outros ônibus que vieram dos bairros. Com o novo plano, a Prefeitura cria as linhas locais, que funcionarão nos bairros que estão fora do centro expandido. O transporte será feito, em sua maioria, por microônibus e miniônibus, que vão levar os passageiros até a estação de transferência (terminais). Lá, ele embarca nos ônibus de linhas estruturais, que deverão ligar as diversas regiões ao centro. "Pelo sistema local, cada bairro é tratado como uma cidade. Queremos criar uma rede local nos bairros", disse Zarattini. Com isso, a Prefeitura espera aumentar a oferta de ônibus nos bairros, diminuindo o tempo de espera nos pontos e aumentar a velocidade nos grandes corredores e evitar os grandes engarrafamentos. De acordo com o secretário, a passagem cobrada na linha local será menor que a praticada hoje, de R$ 1,40. Quando o passageiro faz a transferência para as linhas estruturais, ele paga uma diferença. O sistema será feito por meio do Bilhete Único, que é uma cartão magnético que grava um número de passagens de ônibus, que pode ser usada diariamente. Os ônibus terão quatro anos para reduzir a idade média da frota, que hoje é de sete anos, para cinco anos. "Nós pretendemos atender de uma forma melhor às viagens curtas. O sistema estrutural irá atender as altas demandas", afirmou o secretário. Além disso, os pontos de ônibus serão mais equipados e terão conforto maior para os passageiros.DivisãoPara comandar o novo sistema, a Secretaria Municipal dos Transportes criará uma autarquia reguladora (empresa do município), que gerenciará o transporte no novo sistema, fará a fusão da São Paulo Transportes (SPtrans) com uma empresa financeira, que será responsável pela arrecadação do novo sistema de transporte e a distribuição dos valores para as empresas, consórcios e autônomos. A SPtrans ainda será a responsável pela fiscalização dos ônibus na cidade.Qualquer empresa do País pode participar da licitação. De acordo com Zarattini, os consórcios terão que ter a participação de uma empresa de transporte (que terá que ter 20% da participação acionária). Empresas do exterior também poderão participar do processo, desde que estejam associadas com empresas nacionais. Todas as empresas receberão apenas em cima dos passageiros transportados, e não mais sobre os seus custos operacionais.As empresas que entrarão na concorrência para os equipamentos de transferência e subsistema estrutural, que é de regime de concessão, terão que mostrar uma proposta de metodologia de execução, para justificar o preço apresentado na licitação. "Ele tem que mostrar como ele chegou naquele preço, senão vira bagunça", disse o secretário. Além disso, o consórcio que ganhar uma licitação de equipamentos de transferência - construção de terminais e pontos de ônibus - não poderá ter contrato no sistema estrutural. O sistema local será destinados aos autônomos. De acordo com o secretário, os perueiros podem participar da licitação do subsistema local, mas quem vencer terá 24 meses para trocar o seu carro por um micro ou miniônibus. Além disso, todos terão que ser associados a cooperativas e ter bons antecedentes.

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